Por marta.valim

O “super bilhete único” está a caminho. Assim, o diretor de Gestão Econômica e Finanças da SP Trans, Adauto Farias, se referiu às novidades que o Bilhete Único da Prefeitura de São Paulo irá agregar nos próximos meses. Um dos planos que pode sair do papel em breve é o uso do cartão Bilhete Único no pagamento de cinema. “Queremos tornar o Bilhete Único um facilitador para os usuários”, disse. O executivo disse que o segmento está passando por uma atualização tecnológica que irá permitir novas aplicações e meios de utilização. “Ficamos cerca de 8 a 9 anos sem investir em tecnologia e em novas plataformas.

Terminamos uma licitação no mês passado e agora estamos reestruturando o datacenter e, a partir daí, teremos novas frente de trabalho”, disse. Farias lembra que hoje o bilhete único comum já poderia ser usado no pagamento de táxi e zona azul porque são preços regulados pela prefeitura, mas por falta de tecnologia ainda não foi possível. “Hoje temos 9 milhões de cartões ativos. É uma população grande e quanto mais facilidade agregar, melhor será e esses benefícios se reverterão em prol do transporte público”, avalia.

Uma novidade que já é reflexo do investimento que está sendo feito pela SPTrans em tecnologia é que no início do mês foi lançado o sistema que permite recarregar o bilhete único por telefone móvel. Desenvolvida pela Rede Ponto Certo — que lidera o mercado na rede de recargas para o transporte público no País - a solução é voltada para sistema Android e aparelhos com tecnologia NFC e permite que o usuário consulte saldo de todos os tipos de Bilhete Único, além de fazer a recarga do vale transporte e compra de créditos de passe comum, de forma simples, rápida e segura. Basta encostar o cartão no celular, gerar um boleto na loja virtual e aguardar um dia útil após o pagamento, para a disponibilização dos créditos. Entre os aparelhos compatíveis estão: Samsung Galaxy S3; Motorola Moto X; Motorola DROID RAZR;Sony Ericsson Xperia L; Sony Ericsson Xperia ZL; Sony Ericsson Xperia SP; Motorola DROID RAZR HD; Motorola RARZ D3; Sony Ericsson Xperia.

O presidente da Rede Ponto Certo, Nelson Martins, revelou que já está estudando possibilidades para atender a demanda da SPTrans para que o cartão também possa ser aceito em outras estabelecimentos, como campo de futebol. “Estamos desenvolvendo tecnologias que permitam esse processo”, disse.

Ainda no campo das novidades, no próximo dia 4, o sistema de débito em conta bancaria e uso de cartão de débito estará disponível para ser baixado via Google Play Store, gratuitamente, com o nome Ponto Certo Bilhete Único. “Isso irá permitir a recarga praticamente online”, disse Martins. E, daqui a 45 dias uma nova tecnologia estará disponível para o bilhete único. É o relógio de pulso que paga passagens com um único gesto. É o conceito do watch2pay, basta encostar o dispositivo no leitor do ônibus, metrô ou trem para efetuar o pagamento. O watch2pay contém um chip (mifare) com as mesmas funções do cartão de pagamento, que facilita o dia a dia, estando sempre à mão. Já em teste em São Paulo, Recife e Ribeirão Preto, o produto deve chegar ao mercado brasileiro ainda neste ano. Será vendido inicialmente em lojas virtuais. Países, como Turquia, Inglaterra, Rússia e Polônia já adotaram o watch2pay como meio de pagamento, integrado com a função transporte. “Estamos trabalhando para que o usuário carregue sua loja no bolso”, afirma o presidente da Rede Ponto Certo.

Nesses casos — cinema e campo de futebol — a SPTrans estaria sujeita a adequação às normas do Banco Central, podendo se tornar uma empresa de arranjo financeiro, por exemplo. Farias, no entanto, pondera que esse tema ainda está em estudo e que é cedo para saber qual será a melhor alternativa. “Iremos fazer tudo dentro da lei. Podemos optar por parcerias com bancos ou empresas de arranjo financeiro. Ainda não está nada definido. Estamos tomando todas as medidas necessárias”, disse.

A lei 12.865, que trata dos arranjos e instituições de pagamento, foi publicada em 9 de outubro, e a regulamentação feita pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) por meio das resoluções 4.282 e 4.283 e circulares 3.680/81/82 e 83 de 4 de novembro. O conjunto de regras estabelece regulação mínima para o setor a fim de mitigar riscos para o mercado financeiro e promover solidez na operação dos arranjos e instituições de pagamento. A regulamentação abrange vários players e seu objetivo principal foi cercear o risco sistêmico com o desenvolvimento dos meios de pagamento eletrônicos.

Antes da lei, uma empresa poderia lançar um cartão pré-pago e investir ou usar o dinheiro do cliente sem nenhum problema. Caso essa empresa quebrasse, o empresário lá na ponta, que havia aceitado o pagamento via o cartão, não receberia o dinheiro e não teria garantias. "Era um risco sistêmico grande, a lei veio acabar com isso. Agora, a empresa que tem o pré-pago não pode colocar no balanço como ativo nem usar o dinheiro. É uma segurança maior. Tem que ser uma empresa com arranjo financeiro", explica o consultor da Lyra Networks Max Ciqueira.

Ciqueira disse que também está em estudo por algumas empresas um cartão pré-pago onde o usuário possa fazer um crédito nele e esse valor ser usado para contas de água, luz, telefone, por exemplo. Segundo Ciqueira, esse modelo de pré-pagamento é um grande desafio para os usuários não bancarizados, que não temo hábito de deixar dinheiro disponível em cartão. No entanto, ele avalia que a iniciativa poderia ser acoplada ao bilhete único. “Têm empresas que já estão trabalhando isso. O usuário do transporte público já tem esse hábito e não precisa ensinar. É uma opção fácil e útil”, explica.

Octopus é líder em Hong Kong

O novo modelo do Bilhete Único que está sendo estudado pelas prefeituras de São Paulo e do Rio de Janeiro se espelha no Octopus Card, o cartão usado por quase toda a população de Hong Kong como meio de pagamento eletrônico para diversos usos. É o segundo maior cartão deste tipo usado no mundo, depois do coreano Upass, e maior que o Oyster Card, de Londres.

O cartão foi criado em 1997 exclusivamente para o transporte público e hoje já é autorizado para pagamentos em supermercados, lojas de conveniência, restaurantes, estacionamentos e outros inúmeros pontos de comércio. <USTitulos>A expansão começou em 2003, com algumas grandes redes começando a aceitar o Octopus Card para pagamentos, como a 7-Eleven, Starbucks e McDonald's.

Além de ser usado como meio de pagamento, o Octopus Card é personalizável — possui nome e fotografia do dono — podendo ser apresentado como uma espécie de carteira de identidade.

O Octopus Card é um cartão pré-pago, que faz pagamento por aproximação em sistemas on-line e off-line. Segundo Octopus Cards Limited, operadora do sistema, existem mais de 20 milhões de cartões em circulação, quase três vezes a população de Hong Kong. Os cartões são usados, em média, por habitantes com idade entre 16 e 65 anos, gerando mais de 12 milhões de transações diárias de aproximadamente US$ 100 milhões.

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