Mercado de corretoras de valores continuará a encolher

Grande número de empresas e volume menor estão levando à consolidação do segmento

Por monica.lima

São Paulo - Desde a crise financeiro de 2008, as corretoras de valores brasileiras viram seus clientes irem embora e junto com eles uma parte de suas receitas. Algumas corretoras abriram o leque de produtos e têm conseguido reverter parte das perdas. Mas, essa não é a realidade de outras que têm sido adquiridas por corretoras com estruturas maiores.

A grande quantidade de corretoras no País e o volume diminuto estão levando à consolidação do setor e esse processo pode se intensificar, avalia o CEO da XP Gestão, Patrick O'Grady. "Esse é um processo natural e saudável. Muitas corretoras pequenas têm enfrentado dificuldade do ponto de vista de retorno financeiro. Ter um mercado mais consolidado é saudável", disse na segunda-feira durante evento na BM&FBovespa para a listagem do XP Top Dividendos, o primeiro fundo com gestão ativa negociado na Bolsa.

Um experiente profissional que preferiu não se identificar disse que esse é um movimento sem volta e que as grandes corretoras devem intensificar esse movimento de consolidação. "As corretoras que não são eficientes deixarão de existir. Não há espaço no mercado para falta de eficiência. Um novo modelo está sendo criado. As empresas precisam ter várias alternativas de produtos para atrair o cliente", previu, lembrando que o número de pessoas físicas presente na Bolsa só tem caído e que isso não deve mudar no curto prazo, em razão das incertezas econômicas aqui e lá fora. “Temos que pensar em alternativas para atrair esse público de volta”, acrescentou.

Durante a cerimônia simbolizando a abertura do pregão, o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, ressaltou a importância de se trazer novos produtos para o mercado de capitais e disse acreditar que a iniciativa da XP Gestão deve atrair outros gestores. “Uma captação para mais de 3 mil clientes, com o tíquete médio de R$ 35 mil é muito positiva. Isso mostra que quando o produto tem um desenho interessante, ele tem poder de captação excelente. Essa questão da isenção do IR no dividendo e o próprio fundo fazer o repasse do dividendo é uma tranquilidade para o investidor e um atrativo a mais”, disse.

O presidente da BM&FBovespa destacou também que o novo produto lançado pela XP Gestão pode ser uma nova alternativa de negócio para as corretoras e acredita que o mercado brasileiro vai buscar a pessoa física através da gestão, tendo um gestor qualificado fazendo a ponte entre ele e a negociação das cotas.

O fundo é composto por 12 empresas — BMF&Bovespa, Cetip, Itaú-Unibanco, BB Seguridade, Transmissão Paulista, Vale, Tegma, Metal Leve, Odontoprev, Kroton, Telefônica Brasil -, mas esse número pode aumentar ou diminuir conforme o potencial de crescimento das empresas. Na oferta pública, atingiu R$ 112 milhões. A cota mínima era de R$ 1 mil. O investidor que quiser poderá adquirir uma cota por R$ 100,00 no mercado secundário da Bolsa.

De acordo com a assessoria da BM&FBovespa, hoje existem 166 fundos negociados na Bolsa, sendo dois fundos de ações da família Fator Sinergia, que possui gestão fundamentalista e tem como estratégia de investimento ações com boa governança corporativa.

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