Por marta.valim

Os Bitcoins, que perderam 45% do seu valor após se catapultarem para mais de US$ 1.100 no ano passado, cairão ainda mais, segundo a última Pesquisa Global da Bloomberg com profissionais de finanças.

Cinquenta e cinco por cento dos consultados disseram que a moeda virtual opera a preços insustentáveis, como os de uma bolha, segundo a pesquisa trimestral com 562 investidores, analistas e operadores assinantes da Bloomberg. Outros 14% disseram que a moeda está à beira de uma bolha. Somente 6% dos consultados disseram que não se está formando uma bolha. Os 25% restantes não tinham certeza.

Os resultados mostram ceticismo em relação à moeda virtual, ainda que empreendedores de tecnologia, investidores de capital de risco e hedge funds acumulem dinheiro e esforços para desenvolvê-la como sistema internacional de pagamentos. Os preços do Bitcoin oscilaram entre US$ 341 e mais de US$ 900 neste ano, enquanto os entusiastas tentam combater as fraquezas da moeda digital, persuadir os consumidores a adotá-la e superar a preocupação dos governos com o possível abuso por criminosos.

Os Bitcoins surgiram de um artigo escrito em 2008 por um programador ou grupo de programadores com o nome Satoshi Nakamoto e se transformaram na moeda virtual mais popular. Eles dependem de um livro razão público e de criptografia para registrar as transações e proteger a propriedade.

A pesquisa da Bloomberg, realizada nos dias 15 e 16 de julho pela Selzer Co., empresa com sede em Des Moines, Iowa, possui uma margem de erro de mais ou menos 4,1 pontos porcentuais.

Recuperação do preço

Os Bitcoins, que operavam a cerca de US$ 13 no começo do ano passado, foram cotados em cerca de US$ 625 ontem à noite. Os preços despencaram no primeiro trimestre devido ao desmoronamento da bolsa de Bitcoins Mt. Gox, outrora a maior do mundo, e porque governos do mundo inteiro, no intuito de atacar a lavagem de dinheiro, advertiram para roubos e aumentaram o rigor das regulamentações.

O preço tem se recuperado após chegar ao valor mais baixo do ano em abril, tendo subido 83 por cento à medida que os empreendedores anunciavam projetos para facilitar o uso da moeda. Comerciantes como Expedia Inc., Dish Network Corp. e Overstock.com Inc. decidiram aceitar Bitcoins. Atualmente, um total de 63.000 empresas aceitam a moeda virtual, e pessoas montaram mais de 5 milhões em carteiras para conservar suas posses digitais, segundo a CoinDesk, que acompanha o uso.

As dúvidas de Buffett

Em 8 de julho, a Xapo, provedora de armazenamento on-line seguro para Bitcoins, disse que dobrou a quantidade de dinheiro que arrecadou de investidores, para US$ 40 milhões, a maior cifra obtida por uma startup focada na moeda virtual. Neste mês, o investidor de capital de risco Tim Draper, 56, comprou uma provisão de quase 30.000 Bitcoins que foi leiloada pelo governo.

Esse entusiasmo contrasta com as opiniões expressadas por líderes da indústria financeira. O CEO da JPMorgan Chase Co., Jaime Dimon, 58, disse que provavelmente os Bitcoins não durem muito como moeda depois que os governos os submeterem a regras e padrões similares àqueles empregados para outros sistemas de pagamento. O bilionário investidor Warren Buffett, 83, disse que se surpreenderá se os Bitcoins durarem dez ou vinte anos.

Em janeiro, uma pesquisa da Bloomberg mostrou que os investidores também têm dúvidas sobre a moeda virtual. Quase metade dos 477 investidores, analistas e operadores internacionais assinantes da Bloomberg estavam altistas em relação aos Bitcoins e disseram que os venderiam. Naquela época, os Bitcoins operavam a cerca de 30 por cento acima dos níveis atuais.

Pesquisas on-line mostraram mais entusiasmo pela moeda virtual. Numa delas, publicada pela CoinDesk em 2 de janeiro, mais de metade dos 5.500 consultados disse que esperava que o Bitcoin chegasse a US$ 10.000 neste ano.

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