Influenciado principalmente por pesquisas eleitorais, o Ibovespa terminou mais uma semana – a quarta consecutiva – com ganhos, ao acumular alta de 1,42%. No ano, o avanço é de 12,2%. Nos próximos pregões, no entanto, o rumor em relação às eleições dará espaço aos indicadores norte-americanos, que devem pautar o comportamento dos investidores. A temporada de balanços continua, com destaque para os resultados do Bradesco e da Vale.
O principal índice da Bovespa, que fechou a sexta-feira com recuo de 0,27%, aos 57.821 pontos, continua em forte tendência de alta e caminha para romper a resistência dos 58.200 pontos em busca do objetivo final - 63 mil pontos. “Esse patamar é para ser alcançado no médio prazo. Até lá, se houver realizações, o Ibovespa pode cair, tranquilamente, até os 56 mil pontos sem comprometer a configuração de alta”, afirmou o analista da Clear Raphael Figueiredo.
A agenda dos Estados Unidos guarda importantes dados do mercado de trabalho, que culminam na divulgação do Payroll (relatório geral de emprego do país), na sexta-feira. No meio da semana, a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) vai centrar a atenção do mercado, com os agentes em busca da confirmação sobre o fim do programa de estímulos em outubro e também de pistas em relação à data do aumento dos juros. “A economia dá sinais de melhora, mas ainda não ganhou fôlego suficiente. Por isso, acredito que os juros só devem subir no segundo semestre de 2015. E isso é bom para a bolsa brasileira, pois favorece a entrada de recursos no país”, disse Figueiredo.
O estrategista-chefe do Banco Mizuno, Luciano Rostagno, compartilha a opinião de que o Fed só irá mexer nos juros no meio de 2015. Para ele, o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano, referente ao segundo trimestre, a ser conhecido na quarta-feira, será importante para medir o comportamento da economia. “Nos três primeiros meses do ano, o PIB dos Estados Unidos recuou (2,9%), e a queda foi justificada por problemas climáticos. Se o número vier bom, irá comprovar essa tese e atestar a recuperação da economia”, afirmou. De acordo com projeção da Gradual investimentos, o PIB deve subir 2,9%.
Na agenda doméstica, o grande destaque será o dado de produção industrial de junho, que deve retrair 1,5% na comparação mensal, segundo estimativa da consultoria LCA. “O número será importante, pois vai ser usado para balizar as projeções sobre o comportamento da economia no segundo trimestre”, ressaltou Rostagno.
A temporada de balanços, por sua vez, ganha fôlego, com a divulgação do resultado Bradesco, na quinta-feira, e da Vale, na sexta-feira. No dia anterior, será conhecido o Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial da China.