Por marta.valim

O banco BTG Pactual vai ao mercado captar recursos até o fim do ano para reforçar o seu capital. O aumento vai ser necessário depois da capitalização do Banco Pan, do qual é sócio com a Caixa Econômica Federal, e da compra da gestora suíça de fortunas BSI.

“Devemos fazer em breve uma captação no mercado de dívida via instrumento híbrido. Temos investidores interessados em prover capital já neste segundo semestre. Não vamos fazer oferta de ações e diluir o capital. Temos condições de continuar oferecendo a mesma rentabilidade patrimonial aos sócios e acionistas”, disse ontem o presidente da instituição André Esteves, em teleconferência com analistas. o banco fechou o trimestre com rentabilidade de 22,4%, acima do piso de 20% que o banco costuma dar de “guidance” para os investidores.

Os instrumentos híbridos de capital e dívida são representados por diversos tipos de títulos ou contratos emitidos para captação de recursos financeiros destinados à capitalização das instituições. O Conselho Monetário Nacional (CMN) permite que uma parte do “patrimônio de referência” (tanto de nível I quanto de nível II) — que é usado para calcular a alavancagem dos bancos — seja composto por esse instrumentos. Os papéis, por sua vez, não tem garantias nem prazo de vencimento, e entram no final da fila de pagamentos em caso de quebra do banco — como aconteceu agora com o Banco do Espírito Santo (BES).

“A capitalização do Banco Pan, a compra do BSI e da seguradora Ariel tiveram impacto no nosso índice de Basileia. Estamos fazendo simulações para saber quanto vamos precisar”, afirmou Esteves.

No Pan, o BTG e a Caixa vão colocar R$ 1,5 bilhão. “Quando a capitalização do Pan estiver concluída será relevante para a sua recuperação. Estamos otimistas com o que podemos obter na área de consumer finance por meio do Pan. O banco está na última fase de turn around”, disse.

O BTG absorveu R$ 24 milhões dos R$ 70 milhões de prejuízo do Pan no segundo trimestre. Mas a aquisição do BSI foi a que impactou mais, pois 80% de 1,5 bilhão de francos suíços serão pagos em espécie à vendedora (a seguradora italiana Generali) e o resto em units do banco, a serem emitidas (leia mais sobre a BSI ao lado).

Em relação ao lucro de R$ 962 milhões no segundo trimestre deste ano — 48% maior do que há 12 meses — Esteves diz que é resultado da diversificação de receitas e de geografias que a instituição vem perseguindo. “Estamos muito satisfeitos com o resultado, foi excelente, principalmente porque foi alcançado em ambiente de negócio que não foi o mais construtivo. Foi o melhor resultado desde que abrimos o capital na bolsa, em 2012”, afirmou. Em relação ao trimestre anterior, a alta do lucro foi de 16%.

As receitas do banco cresceram ainda mais, de R$ 1 bilhão para R$ 1,74 bilhão agora — mais de 70%. A maior contribuição veio da área de “sales & trade”, que respondeu por 37% do resultado, ou R$ 647 milhões. A receita é maior do que no segundo trimestre de 2013, porém menor que a do primeiro deste ano.

O banco atribuiu o resultado ao “forte desempenho das mesas de juros e câmbio, ao crescimento de volume e atividade de clientes e receitas relevantes das mesas de commodities”. Em relação a atuação nesse segmento, Esteves reforçou o objetivo de crescer o negócio globalmente. “O primeiro objetivo era ocupar a América Latina com todos os nossos negócios, o que está bem encaminhado”, disse o presidente da instituição.

Compra do BSI globaliza área de gestão

A compra da gestora de fortunas suíça BSI, anunciada em 14 de julho, vai dar ao BTG várias vantagens, segundo o presidente André Esteves. Em primeiro lugar, “dá dimensão global à área de asset e wealth management — o BSI tem presença importante na Europa, Ásia e Oriente Médio”.

Com isso a plataforma de wealth passa dos US$ 200 bilhões (incluindo Brasil e América Latina). “Nossas receitas de wealth e asset management passam a ser 50% do total”, diz Esteves.

O presidente do BTG também considera a aquisição “curiosa”, pois consome capital regulatório de um lado mas traz enorme liquidez para dentro do grupo — uma característica típica dos suíços — e tem impacto interessante no mix de receitas. “E ainda reduz o risco do negócio com a liquidez adicional que traz”.

No primeiro semestre o BSI teve lucro de 62,6 milhões de francos suíços e os ativos sob gestão ultrapassaram 91 bilhões. Mas Esteves disse que apesar de estar “sempre aberto” a aquisições, não deve fazer nada relevante agora: “É hora de focar na aprovação e obtenção das sinergias com o BSI”.

Você pode gostar