Por monica.lima

São Paulo - O mercado de ETFs (Exchange Traded Fund) ainda é pequeno no Brasil, mas este cenário pode mudar no médio e longo prazo e ajudar a aumentar a liquidez dos índices setoriais que são negociados na BM&FBovespa. Isso porque, eles são fundos espelhados em índices e suas cotas são negociadas em Bolsa. Alguns índices têm performance superior ao do Ibovespa no ano, mas o volume de negócios ainda é baixo. O financeiro (IFNC), por exemplo, registra valorização de 28,5% até o dia 18 de agosto, contra 11,7% do principal índice da Bolsa.

Para o diretor da Mirae Asset Securities, Pablo Stipanicic Spyer, ainda é cedo para pensar neste movimento, já que poucas casas têm mostrado interesse em lançar novos ETFs, mas, no médio prazo, se o interesse aumentar, pode haver uma procura maior pelos índices setoriais. “Não de imediato, mas no médio prazo, sim”, avalia, ressaltando ainda que o alto custo acaba desestimulando as casas a lançarem ETFs.

O presidente da Magliano Corretora, Raimundo Magliano Neto, avalia ainda que a forte concentração do mercado de capitais em poucos papéis, a regulação e, principalmente, a falta de educação financeira, são fatores que afastam o investidor do mercado de capitais. “O ETF não pega porque a Bolsa é muito concentrada em Petrobras, Vale e bancos, ou seja, poucos papéis. Lá fora é mais diluído”, diz.

Além disso, Neto lembra que nos Estados Unidos existem ETFs para vários segmentos e que a liquidez é maior e a regulação ajuda. Ele explica que lá, um ETF pode ser alavancado no índice que ele espelha. Ou seja, se o ETF for de Ibovespa, é possível ter na carteira duas vezes o Ibovespa. “Se o índice subir 2%, o ETF avança 4% e, se cair 2%, ele cai 4%”, explica.

Neto avalia que há necessidade de muitas ações neste segmento, visando atrair mais investidor pessoa física para o mercado de capitais. “A educação financeira está um pouco esquecida. É preciso falar sobre o mercado de capitais a todo o momento. Hoje a participação da pessoa física é de 10% na Bolsa, mas já foi de 30%”, lembra.

Sobre o desempenho de um índice setorial ser melhor do que o do Ibovespa, a analista de equity da Capital Markets, Marco Aurélio Barbosa, lembra que além das questões macros, o setorial sofre apenas as influências de eventos do seu setor. Já o Ibov, por ser um índice que tem em sua composição empresas de diversos setores, está mais sujeito a impactos. “O índice (Ibov) sofre com muitas variáveis”, pondera. Ele cita, por exemplo, a queda no preço das commodities no mercado internacional como um ponto negativo para o Ibovespa. “Vale, siderúrgica e exportadoras sofrem com a queda das commodities e, isso se reflete no índice”, diz.

Por outro lado, ele destaca a performance do setor elétrico, com ganho de mais de 13% no ano. “Este segmento sofreu muito por conta da MP 579, este ano está na fase de recuperação, puxado, principalmente, por notícias de que o governo vai ajudar o setor”, afirma.

Neto ressalta que mesmo com o fraco crescimento da economia, o setor financeiro continua mostrando qualidade, ao registrar ganhos no seu balanço. “As ações dos bancos estão batendo recorde este ano”, afirma.

Investir somente num setor, no entanto, pode trazer um retorno maior, mas o risco também deve ser superior. O ideal, segundo os analistas, é dividir o investimento e olhar sempre para frente. “Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”, alerta Spyer, que ressalta ainda que a metodologia empregada no Ibovespa é diferente da utilizada nos índices setoriais.

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