Por parroyo

A reviravolta no cenário eleitoral com a entrada de Marina Silva na corrida ao Planalto agradou o mercado e elevou os ganhos do Ibovespa, que cravou uma sequência de seis altas consecutivas, alcançou o melhor patamar em um ano e meio, e garantiu ganhos de 2,53% na semana. No ano, o índice sobe 13,40%. De acordo com analistas, a expectativa pelo segundo turno quase certo, conforme mostrou o Datafolha, agrada os investidores, pois reduz o favoritismo da presidenta Dilma Rousseff, o que corrobora com a expectativa dos agentes por uma mudança na política econômica e também na gestão das estatais.

De acordo com o analista da Clear Corretora Raphael Figueiredo, o mercado entende que as diretrizes da política econômica de Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) são bem parecidas, então “tanto faz” quem for ao segundo turno com Dilma. Marina defende a independência do Banco Central e já se comprometeu a manter o tripé econômico (metas de inflação, câmbio flutuante e compromisso fiscal). “As eleições vão continuar a ser, até outubro, o principal indicador a sensibilizar o mercado. Essa semana será bastante movimentada, com a entrevista da Marina no Jornal Nacional e a divulgação de pesquisas”, disse Figueiredo.

Na sexta-feira, após as seis altas seguidas, o Ibovespa passou por um movimento natural de realização de lucros e caiu 0,99%, aos 58.407 pontos. Para Figueiredo, as quedas podem persistir nos primeiros pregões da semana. “O índice pode cair até os 57 mil pontos sem perder a tendência de alta, o que abre oportunidades de compra”, apontou o analista para quem o próximo objetivo a ser buscado pelo Ibovespa será os 60 mil pontos e, depois, a faixa dos 63 mil pontos.

O instituto de pesquisas Ibope vai divulgar, a partir de terça-feira, o primeiro levantamento após a confirmação oficial da candidatura de Marina. “A pesquisa do Datafolha foi realizada logo depois da morte de Campos e, por isso, tinha um forte componente emocional. Esse levantamento do Ibope já capta a percepção do horário eleitoral, ou seja, vai haver uma avaliação racional dos candidatos, e pode mostrar até uma polarização entre Dilma e Marina na disputa”, disse o economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa, para quem a agenda de indicadores econômicos fica em segundo plano.

Ainda assim, Rosa destaca a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, referente ao segundo trimestre, na sexta-feira. “Será um dado bastante esperado e deve confirmar a fraca atividade da economia”, disse o economista, que projeta retração de 0,35% do PIB, na comparação trimestral.

Na agenda externa, os números dos Estados Unidos serão acompanhados de perto, pois na última semana, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deu pistas de que pode antecipar a subida da taxa básica de juro, caso os indicadores de inflação e emprego mostrem melhora. Na sexta-feira, a presidente da autoridade monetária fez um discurso, mas não deixou claro a real intenção da instituição. “A postura de Yellen foi bastante moderada, pois ela ressaltou que o mercado de trabalho ainda precisa melhorar – a despeito dos avanços dos últimos anos –, mas afirmou que os juros podem subir antes se o ritmo forte dos indicadores continuar. Pareceu mais cautelosa em suas sinalizações”, avaliou a Guide Investimentos, em nota.

Para Rosa, da SulAmerica Investimentos, a decisão será pautada nos próximos dados a serem divulgados. “No entanto, o mercado já vai começar a comprar a ideia de antecipação do aperto monetário para o primeiro semestre de 2015”, disse. Entre os indicadores norte-americanos, o destaque fica para a as encomendas de bens duráveis, que mostra o desempenho da indústria, na terça-feira; a segunda revisão do PIB do segundo trimestre será conhecida na quinta-feira.

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