Ibovespa pode recuar mais e abrir novas oportunidades de compra

Índice que acumula alta de 17,8% no ano deve ceder a uma nova rodada de realização de lucros sem perder a tendência positiva

Por O Dia

A euforia do mercado em relação a possível troca de governo esfriou após as últimas pesquisas eleitorais não terem apontado Marina Silva (PSB) à frente de Dilma Rousseff (PT) já no primeiro turno. Como reflexo da quebra de expectativa, o Ibovespa teve uma semana marcada pela realização de lucros, na qual fechou no vermelho em quatro dos cinco pregões e acumulou perda de 1%. No ano, o índice sobe 17,8%. De acordo com analistas, o movimento vendedor pode continuar nas próximas sessões, o que é positivo, pois abre espaço para novas oportunidades de compra.

À parte da reação dos investidores, as pesquisas não apontaram mudanças significativas na corrida ao Planalto: o Ibope mostrou que, em relação às intenções de voto para o primeiro turno, Dilma subiu três pontos (de 34% para 37%), enquanto Marina avançou quatro pontos – de 29% para 33%. O resultado foi parecido com o divulgado pelo Datafolha, que apontou empate técnico entre as candidatas. Em um eventual segundo turno, os dois institutos mostraram vitória da ex-senadora sobre a petista por sete pontos de diferença.

De acordo com operadores, os agentes aproveitaram a quebra de expectativa eleitoral para realizar parte dos lucros, principalmente dos papéis das estatais, que acumulam forte alta no ano. Petrobras PN avança 42,19%; Banco do Brasil ON tem alta de 44,23% e Eletrobras PNB sobe 36,17% em 2014.

O Ibovespa terminou a sexta-feira com queda de 0,19%, aos 60.681 pontos. De acordo com o analista da Doji Rodrigo Correa, o mercado deve continuar o movimento de realização de lucros, o que pode abrir espaço para novas oportunidades de compra. “Caso o índice perca o patamar de 60.200 pontos, o investidor deve ficar atento para buscar novas chances de negócios”, aconselha Correa, para quem o Ibovespa pode cair até os 58 mil pontos sem perder a tendência de alta.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, destaca que o movimento do mercado deve continuar a ser pautado por pesquisas eleitorais, o que deixa a agenda de indicadores econômicos em segundo plano. “No entanto, serão conhecidos dados importantes no Brasil e na China”, disse. O Ibope e o Datafolha já registraram novos levantamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TRE) e os resultados podem ser divulgados a partir de terça-feira.

Entre os indicadores domésticos, a Ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) é destaque e será conhecida na quinta-feira. A autoridade monetária decidiu, pela segunda vez consecutiva, manter a taxa básica de juros em 11%. De acordo com Rosa, o fato de o BC ter retirado do último comunicado a expressão “neste contexto”, induz à conclusão de que a Selic deve continuar no mesmo patamar ao menos até o final do ano.

Ainda na quinta-feira, será divulgado o desempenho do setor de varejo no mês de julho . “Passada a maior parte do efeito Copa, o comércio varejista deve ter crescido 0,4%. Resultado insuficiente para recuperar a queda de junho, mas que ao menos sinaliza algum retorno à normalidade”, avalia a Rosemberg Associados, em relatório.

Na sexta-feira, o IBC-Br, indicador do BC considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), virá à público. Após cair 1,48% em junho, a projeção da consultoria LCA aponta leve alta de 0,8% em julho.

No decorrer da semana, serão conhecidos ainda dados da China referentes ao comércio exterior, ao crédito e à inflação. O mercado não espera números surpreendentes, mas qualquer dado mais forte que o esperado pode impulsionar a ação da Vale, que acumula queda de 21,27% no ano.

Em uma avaliação mais ampla, que leva em conta o atual cenário mundial, o economista-chefe da Órama, Álvaro Bandeira acredita que independente da agenda macroeconômica e de pesquisas eleitorais, a tendência da bolsa brasileira é de alta.

“Essa decisão do Banco Central Europeu (BCE) de diminuir a taxa de juro e anunciar compra de títulos vai manter os mercados ativos, o que facilita o ingresso de recursos no Brasil”, afirmou. Para impulsionar a economia da Zona do Euro, o BCE reduziu a taxa de juro de 0,15%, para 0,05% – nova mínima histórica – e anunciou um programa de compra de títulos parecido com o chamado ‘quantitative easing’, dos Estados Unidos, que deve injetar mais liquidez no mercado.

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