Ibovespa cai 0,87% e amarga a 5ª queda seguida

Recuperação de Dilma na corrida eleitoral espalha cautela entre os investidores, que avaliam ainda o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Moody’s

Por O Dia

A expectativa eleitoral guiou por mais um dia o mercado financeiro brasileiro. Após a pesquisa MDA/CNT mostrar a recuperação da presidenta Dilma Rousseff, o Ibovespa amargou a quinta queda consecutiva ao recuar 0,87%, aos 58.676 pontos, com giro financeiro de R$ 8,9 bilhões. O principal índice da Bovespa acumula perdas de 4,26% em setembro, o que diminuiu os ganhos no ano para 13,92%. No mercado de câmbio, o dólar disparou 0,91%, cotado a R$ 2,28 na venda. Além da eleição, outro fator que colaborou para tal movimento foi o rebaixamento de perspectiva da nota de crédito do Brasil - de “estável” para negativa” – feita pela agência de classificação de risco Moody’s.

Atualmente, o rating do país está classificado como Baa2, com grau de investimento. “A revisão foi vista como um aviso de que a nota de crédito pode ser rebaixada se nada for feito”, apontou a Guide Investimentos, em nota. Para justificar a decisão, a Moody’s destacou a redução da expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) em 2014 e a piora nas “métricas” da dívida do país. A projeção de avanço do PIB, segundo o último Boletim Focus, é de 0,48% neste ano e 1,10% em 2015.

De acordo com o economista Fausto Gouveia, da Az Legan Asset, um plano econômico bem elaborado (pela equipe do candidato que ganhar a eleição) pode diminuir a perspectiva negativa em relação à economia. “Mas sabemos que o ajuste dos preços administrados terá de ser feito em 2015, o que vai pressionar a inflação e pode forçar uma nova subida de juros, o que compromete ainda mais a evolução da economia”, ponderou Gouveia.

Em relação às eleições, o levantamento da MDA/CNT mostrou um cenário parecido com o observado nas últimas pesquisas: Dilma Rousseff (PT) aparece com 38,1% das intenções de voto no primeiro turno, à frente de Marina Silva (PSB), que ficou com 33,5%. Entretanto, no segundo turno, a petista tem 42,7% das menções e conseguiu se aproximar da ex-senadora, que tem 45,5% da preferência do eleitor. Vale destacar que são esperados novos levantamentos do Ibope e do Datafolha, a serem divulgados ainda nesta semana.

“A pesquisa causou o maior impacto no mercado, pois confirmou os boatos sobre a recuperação de Dilma, que já circulavam nas mesas de operação desde ontem. A revisão da nota de crédito do Brasil também contribuiu para o movimento, uma vez que aumentou a cautela, principalmente entre os investidores estrangeiros”, pontuou um estrategista que pediu para não ser identificado. O sentimento de cautela predominou nos Estados Unidos, nesta terça-feira, em meio à expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) possa subir os juros antes do previsto.

À frente dos ganhos, Tim ON subiu 2,11%. As ações da Vale também foram destaque na ponta positiva do índice. O papel ON subiu 1,81% e o PN teve alta de 1,33%. O governo da China sinalizou que o país deve alcançar a meta de crescimento da economia, de 7,5%, neste ano. Na ponta negativa, Oi PN caiu 6,29%.

Entre as estatais, Petrobras PN teve queda de 1,01%; Banco do Brasil recuou 0,43% e Eletrobrás ON desvalorizou 2,80%.

Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam no vermelho. Em meio à tensão geopolítica entre Rússia e Ucrânia, os investidores avaliam a possibilidade de o Fed aumentar a taxa básica de juros antes do esperado – no segundo semestre de 2015. A autoridade monetária está avaliando a força da recuperação da economia para tomar essa decisão. O Dow Jones caiu 0,57%; o S&P teve queda de 0,65% e o Nasdaq recuou 0,87%.

Últimas de _legado_Notícia