Por parroyo

A corrida eleitoral pautou mais uma vez o comportamento do mercado na semana e uma nova onda vendedora tomou conta do Ibovespa após a presidenta Dilma Rousseff mostrar recuperação nas últimas pesquisas. Após fechar no vermelho em quatro dos últimos cinco pregões, o índice despencou dos 59.190 pontos para os 56.927 pontos e acumulou perdas de 6,19%. No ano, o resultado está positivo em 10,52%. Embora ainda mantenha a tendência de alta, analistas apontam que o Ibovespa não tende a avançar nos próximos pregões, que serão pautados pela expectativa em relação à eleição e também pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sobre a possível antecipação da alta da taxa de juro no país.

No último levantamento do Ibope, divulgado na manhã de sexta-feira, Dilma aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Marina Silva tem 31%. Na pesquisa anterior do instituto, de 3 de setembro, as candidatas estavam tecnicamente empatadas - a petista tinha 37% das menções contra 33% da Marina. Apesar da vantagem de Dilma, em eventual segundo turno, haveria empate técnico: a candidata do PSB teria 43%, e a do PT, 42%. Novos levantamentos do Ibope e Vox Populi podem ser divulgados a partir de 14 e 16 de setembro, respectivamente.

Além da eleição, a revisão da perspectiva do rating soberano do Brasil pela agência de classificação de risco Moodys – de “estável” para “negativa” – e as tensões geopolíticas entre Rússia a Ucrânia, que resulta em sanções dos EUA e Zona do Euro contra Moscou, também pressionaram o desempenho do Ibovespa.

“O mercado brasileiro acompanhou, em parte, o movimento das bolsas americanas, que acumularam perdas na semana. Os últimos pregões causaram certo desconforto entre os investidores, pois o Ibovespa perdeu o importante suporte dos 57 mil pontos, o que comprometeu um pouco a tendência de alta”, avaliou o analista da Clear Investimentos Raphael Figueredo para quem o índice só perde, efetivamente, a tendência positiva se cair abaixo dos 52.200 pontos. “Não há sinais técnicos que o Ibovespa volte a subir. Esse é o momento em que o mercado faz uma pausa e avalia”, completa o analista.

Embora a agenda econômica traga poucos indicadores relevantes, um evento irá atrair a atenção dos agentes: a reunião de política econômica do Fed, que acaba na quarta-feira. A expectativa é que a autoridade monetária sinalize se realmente irá adiantar a data do aperto monetário. Na última quinta-feira, o Bank of America Merrill Lynch divulgou relatório no qual antecipou em três meses – de setembro para junho de 2015 – a previsão de alta do juro pelo Fed.

“Esse evento nos Estados Unidos e as pesquisas eleitorais devem pautar o comportamento do Ibovespa na próxima semana. O avanço do juro nos Estados Unidos vai causar um redirecionamento do fluxo de investimentos para os títulos norte- americanos. Entre os países emergentes, o Brasil será o mais atingido por esse movimento por conta da atual situação da economia”, afirmou o diretor da Leme Investimentos Paulo Petrassi.

No Brasil, a semana deve começar volátil para o Ibovespa por conta do vencimento de opções sobre ações, na segunda-feira. Em relação às eleições, novos levantamentos do Ibope e Vox Populi podem ser divulgados a partir de 14 e 16 de setembro, respectivamente. Entre os indicadores, é destaque a segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que baliza os preços dos aluguéis, e também o IPCA- 15, prévia da inflação de setembro. Ambos serão divulgados na sexta-feira.

Na China, serão conhecidos, ao longo da semana, dados de crédito e de Investimento Estrangeiro Direto.

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