Ibovespa sobe 2% com expectativa eleitoral

Avanço das bolsas dos EUA contribuiu para a alta. Mercado acredita que o Fed vai utilizar um tom mais 'pacificador' em relação à política monetária. Dólar recua, cotado a R$ 2,32

Por O Dia

Em mais uma sessão de ganhos, apoiada em expectativa eleitoral, o Ibovespa chegou a subir 3,8% e ultrapassar os 60 mil pontos na máxima do dia, mas diminuiu o fôlego e terminou com avanço de 2,09%, aos 59.111 pontos. O giro financeiro foi de R$ 10,01 bilhões - acima da média de setembro de R$ 8,7 bilhões. Os investidores operaram com a perspectiva de que Marina Silva (PSB) aumente a vantagem sobre a presidenta Dilma Rousseff (PT) no segundo turno, na pesquisa do Ibope, que pode ser divulgada ainda na noite desta terça-feira. Os papéis das estatais, mais sensíveis à eleição, dispararam e elevaram os ganhos do índice.

“Circularam rumores de que um levantamento de partido teria apontado uma vantagem maior da Marina em relação à Dilma no segundo turno, de 46% a 42%. Além disso, o avanço das bolsas americanas contribuiu para a alta do Ibovespa”, disse o analista de renda variável da São Paulo Investments, Fabio Lemos.

As ações das estatais, o chamado kit eleição, foram destaque na ponta positiva do índice. Petrobras PN subiu 4,57%, Eletrobrás ON teve alta de 5,08% e Banco do Brasil PN avançou 4,40%.

À frente dos ganhos, Oi PN subiu 8,61%. A Telecom Italia, que detém a fatia de 67% da Tim, sinalizou interesse fazer uma proposta para comprar a Oi, com o objetivo de ganhar musculatura para enfrentar a Telefónica e, por consequência, não precisar vender sua participação na Tim. Na ponta negativa, TIM ON perdeu 4,14%.

Nos Estados Unidos, em meio à agenda fraca de indicadores, a atenção dos investidores ficou voltada para a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que começou hoje. Ao contrário da expectativa dos últimos dias, o mercado começou a considerar um toma mais pacificador (dovish) do Fed para comunicar a decisão da reunião, que acaba na quarta- feira.

“O colunista do Wall Street Journal, Jon Hilsenrath, especialista no Fed, publicou que a política monetária dos EUA será mantida em território acomodatício por um período considerável”, apontou a corretora Correparti, em nota. O Dow Jones subiu 0,59%, o S&P teve alta de 0,75% e o Nasdaq teve alta de 0,75%.

Parte dos investidores, entretanto, acredita que a autoridade monetária pode sinalizar uma subida de juro antes do esperado – no primeiro semestre de 2015. “O fim do programa de estímulos em outubro já está precificado. Mas não acredito que virá uma sinalização tão explícita quanto à taxa de juro”, avaliou Lemos, para quem a escalada da taxa de juro norte-americana pode impactar algumas empresas brasileiras, que têm dívida em dólar, como Petrobras, Eletrobrás e as siderúrgicas.

No mercado de câmbio, o dólar caiu 0,65%, cotado a R$ 2,329 e quebrou a sequência de seis altas consecutivas. O movimento foi norteado pela perspectiva de avanço de Marina nas pesquisas, pela informação de que o Banco Central da China disponibilizou uma linha de crédito equivalente a US$ 81 bilhões em apoio aos cinco maiores bancos do país e também pela expectativa de uma política monetária mais acomodatícia nos Estados Unidos.

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