Por parroyo

O fortalecimento contínuo da presidente Dilma Rousseff na corrida eleitoral, demonstrado nas últimas pesquisas, impactou o mercado brasileiro nesta segunda-feira. O Ibovespa chegou a cair 5,40% na mínima do dia e fechou com o maior percentual negativo desde setembro de 2011, ao recuar 4,52%, aos 54.625 pontos - o patamar mais baixo desde 10 de julho. O dólar, por sua vez, teve alta de 1,64%, cotado a R$ 2,456 na venda e atingiu o maior nível desde dezembro de 2008.

“O mercado refletiu principalmente o resultado dos últimos levantamentos. Quando o CNT/MDA mostrou uma melhora ainda maior de Dilma em relação à pesquisa do Datafolha, o Ibovespa afundou mais um pouco”, disse o analista da Solidus Corretora, da Luiz Henrique Wickert, para quem o fato de alguns membros do governo terem admitido que o Brasil pode perder o grau de investimento no ano que vem também pesou na decisão dos investidores.

No fim da tarde, a pesquisa CNT/MDA, mostrou que Dilma Rousseff (PT) subiu 4,4 pontos e ficou com 40,4% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Marina Silva (PSB) recuou 2,2 pontos e aparece com 25,2%. Aécio Neves (PSDB) subiu 2,2 pontos, para 19,8%. Em eventual segundo turno entre as candidatas, a petista venceria a disputa com 47,7%, enquanto a ex-senadora teria 38,7%. Na noite de sexta-feira, o Datafolha havia mostrado Dilma 13 pontos à frente de Marina no primeiro turno.

O principal índice da Bovespa foi impactado, principalmente, pelos papéis mais sensíveis ao cenário eleitoral. À frente das perdas, as ações preferenciais da Petrobras despencaram 10,98% enquanto as ordinárias recuaram 10,54%. Banco do Brasil ON caiu 8,82% e Eletrobrás ON teve queda de 6,14%. Na ponta positiva, Fibria ON, que tem a receita em dólar, valorizou 1,92%.

Outro destaque negativo da sessão foi a Usiminas. Os papéis preferenciais da siderúrgica caíram 7,16% após o BTG Pactual ter reduzido a recomendação da ação para “neutra” e o preço alvo recuou de R$ 10,50 para R$ 8. A revisão aconteceu após o Conselho de Administração da companhia destituir o presidente-executivo, Julián Eguren, e mais dois executivos de seus cargos. Há um conflito entre os acionistas da companhia: a Ternium afirmou que a destituição do presidente viola o acordo de acionistas. Já a Nippon Steel defende que as demissões seguiram os procedimentos padrões.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a instabilidade do cenário internacional é responsável pela grande volatilidade do mercado financeiro. Para Mantega, o efeito das eleições "é uma parte pequena da flutuação" atual dos mercados. “O mercado cria muito boato do tipo vai subir fulano e vai cair sicrano. Isso pode até ter trazer alguma reação, mas não é imediata. O cenário internacional tem um efeito mais negativo”, afirmou o ministro.

Na agenda, Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), que baliza o preço dos aluguéis, quebrou a sequência de quatro meses de queda ao mostrar avanço de 0,20% em setembro. No Relatório de Inflação, o Banco Central (BC) se mostrou mais pessimista em relação ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A projeção caiu de 1,6% para 0,7%. A expectativa para a inflação, medida pelo Índice Geral de Preços Mercado (IPCA), teve ligeira queda de 0,1 ponto percentual e ficou em 6,3% - pouco abaixo do teto da meta de 6,5%.

O Boletim Focus, por sua vez, cortou a projeção do avanço PIB pela 18ª vez consecutiva para alta de 0,29% e apontou o IPCA em 6,31% no fim do ano. A Selic fica em 11% em 2014 e o dólar termina o ano em R$ 2,35, de acordo com projeções de economistas consultados pelo BC.

Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam no vermelho. O Dow Jones caiu 0,25%, o S&P recuou 0,25% e o Nasdaq teve queda de 0,14%.

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