Por parroyo

O crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas a poucos dias da eleição continua espalhando cautela pelo mercado de capitais brasileiro. Após amargar a maior queda diária em três anos ontem (4,52%), o Ibovespa manteve o viés negativo nesta terça-feira, quando chegou a cair 1,95% na mínima do dia. No decorrer da sessão, o índice diminuiu as perdas e terminou com recuo de 0,93%, aos 54.115 pontos. O giro financeiro foi de R$ 10,6 bilhões. Com a queda, o Ibovespa amargou perdas de 11,70% em setembro – a maior desvalorização mensal desde maio de 2012. No ano, os ganhos diminuíram para 5,06%. Vale destacar que Datafolha e Ibope podem divulgar novas pesquisas a qualquer instante.

“A leve melhora do Ibovespa durante o pregão acompanhou a redução da queda dos papéis dos bancos. Mas a maior influência negativa veio das ações das estatais, influenciadas pelo cenário eleitoral”, disse o analista de renda variável da São Paulo Investments, Fabio Lemos. Bradesco PN recuou 2,38% e Itaú PN caiu 3,39%. A agência de classificação de risco Moody’s anunciou que irá revisar a perspectiva para o sistema bancário brasileiro para “negativo”. O relatório com os detalhes da decisão será divulgado na próxima sexta-feira.

Entre as estatais, Petrobras PN perdeu 2,74% e acumulou queda de 22,5% no mês; Eletrobras ON recuou 4,65% e perdeu 19,51% em setembro. Na ponta negativa, Banco do Brasil ON desvalorizou 7,26% aumentando a perda mensal para 27,03%.

Desde o início do governo Dilma Rousseff, a Petrobras perdeu 57,7% do seu valor de mercado. Em 31 de dezembro de 2010, a petrolífera valia US$ 228,2 bilhões, montante que diminuiu para US$ 96,3 bilhões, conforme levantamento da Economatica que considera a cifra até o dia 29 de setembro. Com o recuo, a estatal cedeu para a Ambev o posto de maior empresa de capital aberto por valor de mercado da América Latina. A fabricante de bebidas viu seu valor avançar 19%, no mesmo período, para US$ 103,2 bilhões.

Na agenda macroeconômica, o setor público consolidado (governos federal, estaduais e municipais e empresas estatais) registrou o quarto déficit primário consecutivo em agosto, de R$ 14,4 bilhões - o pior resultado para o mês na série histórica, iniciada em 2001. O superávit primário (economia para pagar os juros da dívida) caiu de R$ 61,2 bilhões em julho para R$ 47,7 bilhões em agosto. “A Moody’s afirmou que pode esperar até o começo de 2016 para rever o rating brasileiro, mas os dados divulgados hoje sobre as contas do governo em agosto já preocupam os investidores”, pontuou a Guide Investimentos, em nota.

Nos Estados Unidos, a confiança do consumidor norte-americano caiu em setembro ao nível mais baixo em quatro meses, como reflexo da preocupação com futuras demissões e com a lenta recuperação da economia. As bolsas fecharam no vermelho. O Dow Jones caiu 0,17%, o S&P perdeu 0,28% e o Nasdaq teve queda de 0,28%.

No mercado de câmbio, os investidores aproveitaram as altas recentes para embolsar lucros e o dólar fechou em queda de 0,31%, cotado a R$ 2,448. No mês, a divisa acumulou avanço de 9,3% - a maior alta mensal desde setembro de 2011. No ano, a moeda americana sobe 3,84%.

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