Ibovespa sobe 1,91% com expectativa pelo 2º turno

Mesmo com o desempenho positivo, índice não tem viés definido para os próximos pregões. Dólar recua, cotado a R$ 2,46

Por O Dia

Às vésperas da eleição, os investidores precificaram, na sexta-feira, que a disputa será decidida no segundo-turno e foram às compras, motivados ainda pelo bom desempenho das bolsas norte-americanas. O movimento alavancou as ações das estatais e levou o Ibovespa a cravar a segunda alta consecutiva ao terminar com avanço de 1,91%, aos 54.539 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,9 bilhões. Com o desempenho, o índice diminuiu a perda semanal para 4,72% e sobe 5,84% no ano.

Sem viés definido para os próximos pregões, a desempenho do principal índice da Bovespa será balizado pelo resultado das urnas. O mercado de capitais já deixou claro que não apoia a reeleição de Dilma Rousseff e sinaliza que “tanto faz” quem irá enfrentar a presidente no segundo turno. “A segunda etapa da eleição já está precificada e a disputa entre os candidatos será mais equilibrada, pois eles terão o mesmo tempo de televisão. O Ibovespa deve ficar ao sabor das pesquisas na próxima semana e será um cenário turbulento”, disse o estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.

No meio do caminho entre a tendência negativa e positiva, caso o índice perca o patamar dos 52.500 pontos, pode ceder à queda até os 51 mil pontos. “Por outro lado, para esboçar uma recuperação, o Ibovespa teria que romper a faixa dos 55.300 pontos”, disse o analista técnico da Trader Brasil, Leandro Klem. Os detalhes do resultado do pleito, que vão refletir nos negócios na segunda-feira, devem ditar o rumo da bolsa.

O desvio do percentual de votos entre as pesquisas e o resultado oficial da eleição será analisado de perto pelos investidores. “O Datafolha apontava que Dilma tem 40% das intenções de voto. Se ela terminar o primeiro turno com mais que isso, irá fortalecida para a segunda etapa da eleição. Por outro lado, caso seu percentual recue e o do segundo colocado avance, a disputa ficaria mais acirrada”, pontuou o estrategista do banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Na avaliação do cientista político e professor da Universidade de Brasília, David Fleisher, a presidenta não deve aumentar o percentual de intenções de voto. Embora não arrisque um palpite sobre quem irá enfrentar Dilma no segundo turno, que é praticamente certo em sua opinião, o professor acredita que Marina teria mais chance de derrotar a presidenta. “Se a candidata do PSB passar para a segunda parte da disputa, ela puxaria entre 70% e 80% dos votos de Aécio. Já em situação contrária, o tucano ficaria com cerca de 30% dos votos da ex-senadora”, destacou.

À parte da eleição, alguns indicadores da agenda serão acompanhados de perto pelo mercado. No Brasil, o destaque fica com a inflação oficial do mês de setembro, medida pelo IPCA, que será conhecida na quarta-feira. De acordo com a consultoria LCA, o indicador deve avançar de 0,45% para 0,47%.

Na agenda dos Estados Unidos, a ata do Comitê de Política Monetária (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), a ser divulgada também na quarta-feira, pode dar pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária em relação à alta do juro. Após o mercado de trabalho do país ter mostrado força em setembro, uma vez que taxa de desemprego caiu para 5,9%, o menor nível em seis anos, aumentam as apostas de que a taxa básica de juro possa subir já no começo de 2015.

“Por conta dessa expectativa, o dólar se fortaleceu frente às principais moedas do mundo na sexta-feira”, pontuou Rostagno. No Brasil, o movimento foi contrário por conta da expectativa eleitoral. A moeda americana terminou a sexta-feira com queda de 1,2%, cotada a R$ 2,452 na venda. Entretanto, na semana, o dólar acumulou alta de 1,9% e no ano, o avanço é de 4,42%.

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