Incerteza da eleição acende luz amarela para o Ibovespa

Índice começa a semana com viés negativo, pressionado também pela aversão ao risco no cenário externo. Indefinição do 2º turno leva volatilidade à bolsa

Por O Dia

A euforia do mercado financeiro com o segundo turno da eleição, que fez o Ibovespa subir quase 5% no dia seguinte ao resultado do pleito, foi perdendo força ao longo da semana em meio ao cenário de aversão ao risco visto nas bolsas externas, provocado pela expectativa de um crescimento mais lento da economia mundial. No Brasil, o empate técnico entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), revelado pelos institutos Datafolha e Ibope, frustrou a expectativa dos investidores, que esperavam uma vantagem significativa do tucano. O principal índice da Bovespa fechou a sexta-feira com queda de 3,42%, aos 55.311 pontos, mas acumulou alta de 1,42% na semana. No ano, os ganhos somam 7,39%.

A eleição continua sendo o principal fator que vai nortear o movimento da bolsa até o dia 26 de outubro, quando será realizada a votação do segundo turno. Como a disputa se mostra extremamente acirrada e, portanto, com resultado incerto, o Ibovespa reflete essa indecisão e tende a esbanjar volatilidade nos próximos pregões. “A tendência de baixa impera no curto prazo, pois o mercado testa o importante suporte dos 55.300 pontos. Caso perca essa faixa, o índice tende a cair para os 52 mil pontos, o que afastaria um movimento de recuperação”, disse o analista técnico da Clear Investimentos, Raphael Figueredo.

“Não tem estratégia para este momento, pois estamos totalmente suscetíveis às pesquisas e aos movimentos da campanha eleitoral. É hora de o investidor ter cautela e aguardar o desempenho dos candidatos nos debates e nos próximos levantamentos para decidir posições”, aconselhou o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno. O primeiro debate na televisão acontece na próxima terça-feira, na Band. O segundo será no sábado (19), na Record, e o último está marcado para o dia 24, na Globo. Em relação às pesquisas, Sensus e Vox Populi devem divulgar novos números no fim de semana e, a partir de segunda-feira, o Ibope pode divulgar um novo levantamento.

À parte da eleição, a agenda guarda alguns indicadores importantes. No Brasil, as vendas no varejo em agosto serão destaque na quarta-feira, pois devem balizar o avanço da economia no terceiro trimestre. A consultoria LCA projeta alta de 0,5% do indicador. Na quinta-feira, o IBC-BR, índice do Banco Central considerado uma prévia do PIB, será conhecido e deve ficar estável em agosto, de acordo com a LCA.

Nos Estados Unidos, além de os indicadores de vendas no varejo e de produção industrial, será conhecido na quarta-feira o Livro Bege – relatório sobre o desempenho da economia. Os discursos dos presidentes regionais do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) também são destaques e o mais aguardado é o da presidente da autoridade monetária, Janet Yellen, na sexta-feira.

Nesta semana, o Fed se esforçou para passar ao mercado o recado de que não tem pressa para subir a taxa básica de juros. Entretanto, alguns líderes regionais defendem a necessidade do avanço. “Tudo indica que a Yellen vai enfatizar que os riscos para a economia ainda são grandes e, portanto, é cedo para subir juros”, avaliou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, para quem o aperto monetário deve acontecer no segundo semestre de 2015.

Newton avalia que o mercado externo vai continuar avesso ao risco por conta da expectativa de desaceleração da economia mundial, o que tende a impactar a bolsa brasileira. Entretanto, esse reflexo pode ser amenizado no Ibovespa com o movimento eleitoral. A cautela ganhou força nos mercados mundo afora após o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduzir a expectativa de crescimento da economia mundial para 3,3% neste ano.

Na Europa, a desaceleração da produção industrial da Alemanha, que caiu 4% em agosto, alimenta o temor pela estagnação da economia da Zona do Euro. Por isso, a divulgação do indicador de inflação do bloco referente a setembro, que vai acontecer na quinta-feira, é importante. “A fraqueza da economia acaba fazendo com que os preços entrem em uma trajetória de queda, cada vez mais próxima do zero, e o risco de estagnação econômica que é o que assusta os investidores”, pontuou Rosa.

Na China, importantes dados do comércio exterior serão conhecidos no domingo e devem refletir no mercado brasileiro na segunda-feira. Ao longo da semana, serão conhecidos ainda os números de crédito, empréstimo e inflação.

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