Por monica.lima

São Paulo - Depois de dez meses à espera de definições no campo eleitoral, empresas voltam a mirar o mercado de capitais. A expectativa agora é de que a volatilidade no mercado de capitais deve ser reduzida na medida em que o novo governo começar a divulgar os planos para os próximos quatro anos e, com isso, os investidores voltem a olhar os fundamentos das companhias. 

Este ano, o primeiro e único IPO até agora aconteceu no dia 21, da Ourofino, empresa especializada na fabricação de produtos veterinários. No mesmo dia, a JBS Foods, subsidiária da JBS, reabriu, pela terceira vez, o processo de oferta inicial. Fontes ouvidas têm dúvidas se essa operação será concluída este ano mas não descartam a possibilidade se houver condições favoráveis, pois ainda há tempo hábil para o processo.

Para o sócio do setor societário da Siqueira Castro Advogados, Sérgio Fogolin, as empresas devem começar a se estruturar para vir a mercado a partir do segundo semestre de 2015. De acordo com ele, tanto as empresas como os investidores vão esperar para saber quais serão as medidas adotadas pela presidente Dilma Rousseff para os próximos quatro anos. Ele lembra que o Carrefour, a Odebrech Ambiental e a camisaria Colombo já sinalizaram a intenção de abrir capital. No entanto, o fraco crescimento da economia e a forte volatilidade no segmento de renda variável ao longo do ano, em razão da disputa eleitoral,acabaram adiando os planos das companhias.

Ele lembra ainda que os incentivos para a abertura de capital para pequenas e médias empresas, como a medida provisória 476 de esforços restritos de distribuição, deve contribuir para alavancar os negócios quando a economia retomar o rumo ao crescimento.

Já o sócio da área de mercado de capitais de TozziniFreira Advogados, Antonio Felix de Araujo Cintra, não descarta a possibilidade de alguma empresa entrar com pedido de abertura de capital junto a Comissão de Valores Mobiliários ainda este ano, para a operação ser feita no início de 2015. “Não seria surpresa. Muita gente represou operações este ano em razão das incertezas. Se (empresa) começar a ver estabilidade, pode vir a mercado; tem muita demanda reprimida”, diz.

Cintra disse ainda que o setor de agronegócio tem dado sinais de que as empresas estão se preparando para o IPO. De acordo com ele, as companhias têm acessado mais o mercado de capitais via Certificado de Recebíveis Agrícolas (CRAs), além de outros instrumentos. “Essa costuma ser a primeira inclusão da empresa para trazer novos investidores. Geralmente o IPO vem após alguma experiência no mercado de capitais”, explica.

O gerente da área de análise da Planner Corretora, Mário Mariante, também espera movimentação a partir de fevereiro. “É difícil empresa se empolgar antes de fevereiro. Acredito que irão esperar para ver os primeiros números da economia. Não justifica vir a mercado num momento de incertezas”, pondera.

Menos otimista, o professor do Ibmec/DF, José Kobori, avalia que 2015 será um ano de ajuste e muita volatilidade e que as empresas devem esperar até 2016 para vir a mercado. “2015 vai ser o típico cenário que piora no curto prazo, para ter cenário de longo prazo mais favorável. É um cenário desfavorável para fazer IPO”, avalia.

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