Por parroyo

O principal índice da Bovespa fechou no vermelho nesta quarta-feira, em sessão marcada pelo corte de recomendação das blue chips Petrobras e Vale por bancos estrangeiros e resultados corporativos negativos, como o da Usiminas, enquanto permanece a expectativa sobre a nova equipe econômica do governo.

O anúncio do fim do programa de compra de títulos pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, ao término da sua reunião de dois dias de política monetária, levou o principal índice da bolsa paulista a ampliar a queda, seguindo a o recuo em Wall Street.

O Ibovespa teve queda de 2,45%, aos 51.140 pontos. O volume financeiro foi de R$  8,3 bilhões de reais. De acordo com o gestor Julio Erse, sócio da NP Investimentos, a bolsa ainda passa por uma acomodação após a eleição presidencial no domingo, no aguardo de indicações sobre a política econômica a ser adotada no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

"É preciso ainda saber quem é a nova equipe, avaliar o que será dito e então traçar um cenário (para investimentos). Ainda há muita desconfiança, é justificado não pagar na frente sem um sinal claro de correção do curso das atuais políticas econômicas dado o histórico do governo reeleito", avaliou Erse.

Nos EUA, o Federal Reserve encerrou o programa de títulos conforme esperado amplamente pelo mercado e sinalizou confiança de que a recuperação econômica seguirá nos trilhos nos EUA, apesar de sinais de desaceleração em muitas partes da economia global.

Jack Ablin, vice-presidente de Investimentos do BMO Private Bank, avaliou que o Fed "manteve a porta aberta para uma alta de juros iminente, ao menos retoricamente falando", embora não acredite que isso vá acontecer.

Ações

Petrobras encerrou entre as maiores quedas do Ibovespa, conforme seguem especulações sobre reajuste de combustíveis. A empresa disse nesta manhã que não há, no momento, decisão sobre o assunto. O Goldman Sachs cortou a recomendação dos papéis de "compra" para "neutra", bem como reduziu o preço-alvo e os excluiu da sua lista LatAm Spotlight.

Vale também sofreu neste pregão, véspera de divulgação do balanço, após nova queda nos preços do minério no mercado à vista na China, para perto do menor nível desde 2009. O Credit Suisse cortou a recomendação para o ADR da mineradora de "neutra" para "underperform" e o preço-alvo.

A unit da Santander Brasil despencou quase 7%, véspera da oferta pública voluntária de permuta de suas ações e units por recibos de ações (BDRs) do Santander Espanha. Em nota a clientes, o Itaú BBA explicou que usando a relação de troca da oferta, a ação está sendo negociada com desconto. Mas lembrou que quem comprou ações nesta quarta-feira não poderá participar da oferta de ações na quinta-feira, uma vez que a liquidação acontece só depois da oferta.

Balanços

Usiminas teve a maior queda do índice, de 8%, após divulgar mais cedo prejuízo de RS$ 24 milhões e Ebitda abaixo do esperado por analistas. Ata de reunião do conselho fiscal da siderúrgica obtida pela Reuters também mostrou que há desconfiança sobre a legitimidade na demissão de executivos. O Itaú BBA cortou o papel para "underperform", abaixo da média do mercado.

Cielo caiu 0,87%. A empresa anunciou na véspera que a combinação de receitas fortes e maiores volumes de pré-pagamentos garantiu um aumento anual do lucro no terceiro trimestre, mas prevê um 2015 desafiador.

CCR perdeu 1,8%, um dia após divulgar lucro líquido de RS$ 346,1 milhões no terceiro trimestre, queda de 14,2% ante mesmo período de 2013, praticamente em linha com o esperado.

A agenda da safra de balanços reserva para a quinta-feira o desempenho trimestral de Bradesco antes da abertura, além de Vale, enquanto BRF, Pão de Açúcar, EDP Energias do Brasil, Suzano e PDG Realty divulgam seus resultados após o fechamento.

Dólar

O dólar fechou em queda ante o real nesta quarta-feira, mas longe das mínimas da sessão, reduzindo as perdas após o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, demonstrar confiança na recuperação da economia norte-americana.

A moeda dos EUA operou em queda durante toda a sessão, com investidores se desfazendo de apostas de que a reeleição de Dilma Rousseff (PT) impulsionaria ainda mais a divisa norte-americana e à espera da decisão do Fed.

O dólar caiu 0,23%, cotado a R$ 2,468 na venda, mas chegou a cair quase 2% na mínima do dia. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,6 bilhão.

O Fed encerrou seu programa de compras mensais de títulos nesta quarta-feira, removendo de seu comunicado de política monetária a caracterização da ociosidade do mercado de trabalho como "significativa". Investidores entenderam essa decisão como uma demonstração de confiança na recuperação, contrariando expectativas de que o banco central norte-americano poderia reiterar suas preocupações com a economia.

"O comunicado certamente não foi tão expansionista quanto se esperava", afirmou o analista-chefe de mercados do Interactive Brokers, Andrew Wilkinson, ressaltando também a falta de menções do Fed às turbulências recentes nos mercados financeiros globais.

A recuperação da economia dos EUA pode abrir espaço para altas dos juros no futuro, possivelmente atraindo para a maior economia do mundo recursos aplicados em outros mercados, como o brasileiro. Por isso, a decisão do Fed levou o dólar a passar a subir contra moedas importantes, como o euro.

Além das expectativas sobre o Fed, o movimento de queda do dólar desta sessão também refletiu fatores técnicos. "Todo mundo estava esperando que o dólar explodisse nesta semana, mas isso não se confirmou. A consequência é que ontem e hoje boa parte dessas apostas está sendo desmontada", disse o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

Alguns analistas chegaram a afirmar que a reeleição de Dilma Rousseff (PT), cuja política econômica é alvo de críticas nos mercados financeiros, poderia fazer o dólar saltar a 2,70 reais. Na segunda-feira, primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais, a moeda norte-americana teve a maior alta em quase três anos, mas corrigiu boa parte desse avanço na sessão seguinte.

Parte dos especialistas argumenta que o câmbio já havia se ajustado ao resultado eleitoral, após a perspectiva de que a petista poderia vencer a disputa tirar o dólar da casa dos 2,20 reais para perto de 2,50 reais de setembro para cá. Ainda assim, a perspectiva é de volatilidade até que haja mais definições sobre a próxima equipe econômica, sobretudo o ministro da Fazenda.


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