Por parroyo
Publicado 04/11/2014 20:07 | Atualizado 04/11/2014 21:01

O principal índice da bolsa paulista encerrou o pregão em alta nesta terça-feira após uma sessão volátil, marcada por resultados trimestrais positivos de bancos e com o mercado em compasso de espera pelo desfecho de reunião do Conselho de Administração da Petrobras.

Depois de inverter de sinal várias vezes ao longo do dia, o Ibovespa fechou na máxima da sessão, com avanço de 0,81%, a 54.383 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,4 bilhões.

"A gente teve performance muito positiva do setor financeiro, isso influenciou o comportamento do índice", afirmou a analista da corretora Concórdia Karina Sanches.

A analista ressaltou a redução das perdas da Petrobras perto do fechamento e disse que a valorização do dólar também melhorou o cenário para as companhias exportadoras.

Para o sócio da Rio Verde Investimentos Eduardo Cavalheiro, a volatilidade do mercado deve continuar enquanto a equipe econômica do governo da presidente reeleita Dilma Rousseff permanecer indefinida. "O governo não dá sinais de que possa anunciar alguém rápido, então o ambiente fica muito tenso, você também vê o câmbio estressado", disse.

As ações do Itaú Unibanco exerceram a maior influência positiva sobre o índice, com alta de 1,91%, após o maior banco privado do país ter divulgado que seu lucro líquido subiu 35% no terceiro trimestre ante o ano anterior, beneficiado por alta no crédito e aumento da rentabilidade.

As units do Santander Brasil, por sua vez, lideraram os ganhos do Ibovespa com avanço de 14,32%. O banco, que revelou mais cedo aumento de 8% por cento no lucro trimestral, divulgou na véspera um novo programa de recompra de units, envolvendo até 1,16% de seu capital social.

As ações da Petrobras, que fecharam em leve queda, oscilaram entre os campos negativo e positivo, conforme mudavam as expectativas em relação a decisão do Conselho, que se reuniu nesta terça-feira, sobre um esperado reajuste dos preços dos combustíveis.

As ações preferenciais da estatal fecharam em queda de 0,2%. As ações ordinárias fecharam estáveis. Até o fechamento da bolsa, a Petrobras não divulgou informações sobre a reunião.

A Eletropaulo foi destaque de alta, após a equipe do Citi ter elevado a recomendação para o papel em relatório, que apontou que em meados de 2015 a companhia terá arcado com a maior parte de seus passivos jurídicos.

Já entre as pressões de baixa, se destacaram as ações da mineradora Vale, diante de nova mínima histórica do preço do minério de ferro, com um excedente de oferta pressionando as cotações da commodity.

Já as preferenciais da operadora de telefonia Oi tiveram a maior baixa do índice, após a companhia ter dito na véspera que não havia qualquer definição ou acordo em relação a uma estrutura para compra da rival TIM Participações.

Dólar

No mercado de câmbio, o dólar fechou em alta nesta terça-feira, mas longe das máximas da sessão, com investidores aguardando novos sinais sobre como será a política econômica no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, mantendo a tendência de um mercado sensível e volátil.

A moeda norte-americana subiu 0,20%, a R$ 2,505 na venda, após bater R$ 2,533 na máxima do dia.  Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de apenas 900 milhões de dólares.

"O mercado chegou a ficar mais otimista na semana passada com a alta de juros (pelo BC), mas voltou a ficar volátil bem rapidamente", disse o operador de câmbio da corretora B&T, Marcos Trabbold. "O mercado só vai melhorar, voltar a operar com base em fundamentos, quando vir medidas claras e concretas".

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC surpreendeu e elevou a Selic em 0,25 ponto percentual, a 11,25%, agradando os agentes financeiros. Mas o mercado voltou a adotar uma postura cautelosa nas sessões seguintes, esperando sinais de mudança também na política fiscal, criticada por ser excessivamente expansionista e pouco transparente.

Investidores também querem saber quem será o próximo ministro da Fazenda no lugar de Guido Mantega, também criticado pelos investidores devido às atuais condições de baixo crescimento e inflação alta.

Segundo analistas, a instabilidade do mercado tem levado investidores a preferir operações de curto prazo e a evitar fazer grandes apostas. Por isso, o volume ficou baixo, tanto no mercado à vista quanto no mercado futuro.


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