Por parroyo

A Bovespa fechou em alta nesta terça-feira, interrompendo uma sequência de três quedas, amparada em novas especulações sobre a equipe econômica no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff e no avanço de índices acionários em Wall Street.

O pregão foi marcado por forte volatilidade dos papéis da Petrobras, que acabaram fechando no menor nível desde março, enquanto ações consideradas defensivas e do setor bancário ajudaram a blindar o Ibovespa da pressão negativa do declínio da mineradora Vale.

O Ibovespa encerrou em alta de 1,57%, aos 52.061 pontos, voltando a ficar positivo no acumulado do ano, com ganhos de 1,08%.  O volume financeiro somou R$ 6,4 bilhões.

O gerente de renda variável da Fator Corretora, Frederico Ferreira Lukaisus, disse que o mercado continua "penalizando" as ações da Petrobras devido às denúncias de corrupção, assim como os papéis da Vale por causa da queda do minério de ferro. Mas ele acredita que especulações sobre nomes mais pró-mercados para integrar a equipe econômica, como o do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, tendem a dissipar parte desse mau humor. "Daria um choque de credibilidade", avalia.

Na parte da tarde, repercutiu no mercado nota do site 247 de que a presidente Dilma estaria avaliando o nome do atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para a Fazenda, e de Meirelles para o comando do BC.

O gestor de uma administradora de recursos no Rio de Janeiro, que pediu para não ser identificado, avaliou mais cedo que, se for anunciado um nome para a Fazenda que "inspire independência e respeito" há espaço para melhora dos ativos locais.

"Contudo, na eventualidade de 'mais do mesmo', ou seja, uma política econômica igual ou parecida com aquela que vem sendo implementada nos últimos anos, poderemos observar mais uma rodada de depreciação dos ativos locais", disse.

Além das especulações sobre a equipe econômica, a bolsa também encontrou impulso em Wall Street, onde o índice Standard & Poor's 500 renovava máxima histórica, ajudado pelo setor de saúde após a aquisição da Allergan pela Actavis.

Petrobras

As ações da estatal ameaçaram uma trégua pela manhã na trajetória de baixa em função do noticiário relacionado à operação Lava Jato da Polícia Federal, incluindo a chance de baixa contábil em seus ativos, mas não teve sucesso e caiu pelo quarto dia.

Os papéis preferenciais, que chegaram a subir quase 2% e a cair quase 5% durante a sessão, fecharam em queda de 1,2%, a R$ 12,45 reais, renovando a mínima de fechamento em oito meses. Os ordinários caíram 1,6%, também para o menor nível desde março deste ano.

O banco UBS reduziu sua recomendação para as ações ordinárias da petroleira para "neutra", em relatório enviado a seus clientes nesta terça-feira, assim como cortou o preço-alvo do papel para R$ 15 ante os R$ 20 anteriores.

Eletrobras também registrou declínio expressivo, de mais de 4%, por temores de que a operação Lava Jato respingue na empresa. Os papéis preferenciais classe B da estatal elétrica ainda tiveram recomendação reduzida para "underperform" pelos analistas do BofA Merrill Lynch.

Vale foi outra pressão negativa, após o minério de ferro no mercado à vista da China cair para perto de US$ 72 por tonelada pela primeira vez em mais de cinco anos. Os papéis da mineradora trabalham em níveis de 2009.

A ajuda dos chamados papéis defensivos, como Cielo, Ambev, Kroton e BB Seguridade, e o avanço em Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil, contudo, ajudaram a blindar o Ibovespa.

A empresa de pagamentos eletrônicos Cielo ainda se beneficiou da notícia da véspera de que está em negociações com a BB Elo Cartões Participações, subsidiária do Banco do Brasil, relativas à gestão das transações de cartões de crédito e débito.

No caso do setor bancário, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, sinalizou nesta terça-feira que o BC poderá ampliar o aperto monetário caso seja necessário para domar a inflação.

Dólar

A moeda norte-americana fechou em queda ante o real nesta terça-feira, com o ambiente externo mais tranquilo favorecendo ajustes de posição após fortes altas recentes, ainda em meio a incertezas sobre a condução da política econômica no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff e os desdobramentos da Operação Lava Jato envolvendo a Petrobras.

A moeda norte-americana caiu 0,42%, cotado a R$ 2,590 na venda, após acumular alta de quase 5% neste mês até a véspera. A moeda norte-americana tem repetidamente as máximas de fechamento em quase uma década. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,5 bilhão nesta sessão.

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