COEs ganham mais espaço em carteiras de investidores

Regulação de oferta pública deve ampliar número de distribuidores e o volume de negócios deve crescer em 2015

Por monica.lima

São Paulo - Lançado este ano, os Certificados de Operações Estruturadas (COEs), título emitido por bancos que reúne aplicações indexadas a variados ativos, têm conquistado espaço nas carteiras dos investidores, principalmente os cambiais e de inflação. O fraco crescimento econômico em meio a uma forte volatilidade contribuiu para a performance este ano, mas a expectativa é de que 2015 pode ser ainda melhor com a proposta de regulação para oferta pública do produto financeiro colocada em audiência pública pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na semana passada.

A autarquia propõe que distribuidoras e corretoras possam fazer a comercialização dos COEs, hoje restrita a base de clientes dos bancos. Considerado um investimento sofisticado, a padronização das informações que serão repassadas aos clientes também é proposta pela CVM na audiência pública.

Para o diretor da área de tesouraria do Bradesco, Cassiano Scarpelli, a expectativa é de que a CVM regularize a oferta pública logo, para que o produto possa ser apresentado a uma base maior de clientes. Além disso, outro item que deve ampliar os negócios no segmento é a possibilidade de entrega física de ação, nos casos dos COEs atrelados a este investimento. Ou seja, em certos cenários, ao invés do dinheiro, o investidor pode optar por pegar a ação. “A partir da regulação a expectativa é de aumento dos COEs atrelados à ação. Deve atrair (investidor) mesmo em cenário de fraco crescimento da economia. Lógico que a demanda pode não ser tão grande, mas é complexo prever pessimismo para o ano inteiro", avalia.

Segundo levantamento da Cetip, o estoque de COEs até o último dia 18 estava em R$ 3,6 bilhões, sendo que deste total, 36,8% são certificados de inflação e 35,8% cambiais. O COE é um instrumento flexível, que mescla aplicação em ativos de renda fixa e variável. Traz ainda o diferencial de ser estruturado com base em cenários de ganhos e perdas selecionadas de acordo com o perfil de cada investidor.

Para a superintendente executiva de Tesouraria do Santander, Claudia Getschko, o cenário de volatilidade será propicio para ativos ligados a dólar e inflação. Já no caso da Bolsa, a executiva acredita que a procura será menor. Isso porque, é um segmento onde os investidores têm uma maior combinação de produtos. “Em outubro o banco lançou um produto indexado ao S&P, mas ações domésticas ainda não comercializamos. É possível que para 2015 tenha, estamos testando o mercado para ver o que o investidor quer”, explica.

Segundo Claudia, a aceitação do produto mais que superou as expectativas. “Com a regulamentação poderemos acessar um público maior, usando corretoras para ofertar”, diz.

Claudia espera também que as instituições financeiras pequenas possam disponibilizar o produto através de contrato de distribuição. Mas, para isso, ela ressalta a necessidade de que o papel de cada participante esteja bem definido. “A CVM quer deixar claro o papel de cada um, padronizar os formulários e fazer com que todos cumpram a mesma regra dos produtos que vai comercializar. Assim, através de agentes de distribuição, a pulverização do produto vai ser mais fácil”, pondera.

Scarpelli ressalta que a flexibilidade do COE permite que ele seja usado em diversas situações e que o fato de hoje o COE cambial ser a melhor opção, não, necessariamente, será no futuro, por isso vai depender do cenário. “Seja na volatilidade do dólar, de ações, a volatilidade em geral gera oportunidades interessantes. É um produto vivo, para o cliente que quer proteção ou alavancagem. Ele é híbrido”, diz.
Scarpelli explica que ao longo do ano tiveram mais investimentos atrelados à variação do dólar. “Houve a percepção de que a moeda norte-americana poderia se valorizar quando estava em R$ 2,30. Fora cambiais, o banco tem operações atreladas à inflação e ações no mercado externo. Ibovespa não teve destaque”, diz.

O chefe de investimentos do Itaú Private Bank, Charles Ferraz, pondera, ainda, que os COEs são instrumentos que vieram para ficar. “Ele simplifica, agrega valor para a vida do investidor, dá flexibilidade e transparência. Você já tem na largada o desenho do que vai acontecer com os investimentos. Deste ponto de vista, tem transparência importante. Quando se consolidar a questão da oferta pública vai aumentar o leque de alternativas”, estima o executivo.

Ferraz ressalta que os fundamentos de Brasil e do mundo apontam para um dólar mais forte ante outras moedas o ano que vem. Ele diz que é difícil acertar a velocidade com que a moeda irá se valorizar. Ele avalia que para o cliente que tem dívida em dólar e está querendo se proteger deste movimento, o COE cambial é uma boa opção, pois é um instrumento que pode ter o prazo que lhe for conveniente. “Para quem sabe que vai ter gasto lá na frente em dólar e quer manter o dinheiro no Brasil, tem que buscar instrumentos de proteção e o COE pode ser uma alternativa, mas é necessário avaliar caso a caso”, pondera.

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