Captações locais caem 74% em novembro no Brasil

Operações do mercado de capitais no mês se concentram em renda fixa, com nenhuma emissão em renda variável, como IPO; debêntures corporativas responderam por 84,9%

Por O Dia

São Paulo - A expectativa dos investidores com os novos integrantes da equipe econômica e a volatilidade dos negócios em novembro fizeram as operações no mercado de capitais domésticos despencarem. As transações apresentaram uma queda no volume de 73,94%, para R$ 1,587 bilhão, ante R$ 6,092 bilhões em novembro de 2013, concentradas no segmento de renda fixa, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). Não houve operação no mercado de renda variável no mês passado. No ano, também foi verificado recuo, de 2,43%, para R$ 132,132 bilhões, incluindo renda variável.

Do total captado no mês, as debêntures corporativas responderam por 84,9% da captação mensal, percentual superior ao registrado no acumulado do ano, de apenas 49,3%. Em comparação ao ano passado, as ofertas com títulos de dívida apresentaram crescimento de 1,5% em 2014. Entre os instrumentos, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e as debêntures registraram queda de 24% e 5,4%, respectivamente, enquanto as notas promissórias e os FIDCs tiveram crescimento de 41,5% e 29,3%, ainda que este último sobre uma base reduzida. No mês passado não houve operação de renda variável.

De acordo com a diretora da Anbima Carolina Lacerda, a volatilidade trouxe incertezas tanto para as empresas quanto para os investidores que preferem não adquirir papéis nesses momentos. Além disso, a alta taxa de juros e o fraco mercado imobiliário também contribuíram para o clima de incertezas. A executiva também destacou que houve uma mudança nos prazos das debêntures na comparação com os de anos anteriores. Neste ano, o prazo médio ficou em 5 anos. “A redução do prazo reflete o cenário de incertezas”, diz.

Outra mudança, é que os investidores passaram a exigir uma parcela maior dos ativos atrelados a taxas de curto prazo. Segundo a Anbima, até novembro, 42,5% das ofertas de debêntures foram em percentual do DI, enquanto 43,1% em DI + spread. No mesmo período, apenas 8,6% dos ativos foram atrelados ao IPCA e 4,2% a taxas prefixadas, universo que engloba os ativos emitidos sob a Lei 12.431 — debêntures de infraestrutura.

Mas, para 2015, a executiva acredita que a performance do segmento será melhor do que a verificada este ano. “Não espero um 2015 tão ruim quanto esse ano. Não teremos grandes eventos, o governo vai estar definido”, diz, acrescentando ainda que para este ano não vê mais janelas de oportunidades. Ela lembrou ainda que empresas como a JBS Food, Ouro Verde Locação e Serviço, Azul, T4U Holding Brasil e FPC Par Corretora de Seguros já registraram oferta pública inicial (IPO) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e devem abrir as portas para as pequenas.

A executiva avalia que os setores de energia elétrica e infraestrutura irão continuar sendo responsáveis pelo maior número de operações, ressaltando que não deve haver muita rolagem de dívida em 2015. “Acho que vai ser mais usado para investimento, porque na medida em que o juro sobe não faz sentido refinanciar dívida. Em 2014 as operações foram para refinanciamento, mas 2015 será mais investimento, mas as empresas estão revendo planos de investimentos para captar apenas o que for necessário”, diz.

Ao contrário do que alguns gestores afirmam de que o setor de agronegócio deve realizar muitas operações no mercado de capitais em 2015, Carolina discorda. Segundo ela, esse segmento tem especificidade e é difícil de ser entendido. Além disso, ela revela que muitas usinas estão com dificuldade de fluxo de caixa, principalmente, pela queda no preço do petróleo no mercado internacional. “As usinas estão com muitos problemas e é um pouco mais difícil fazer emissão. Geralmente, quem compra esses papéis são os fundos soberanos, asiáticos e eles não têm demonstrado apetite por este segmento”, diz.

No mercado internacional de dívida, foi realizado um volume de US$ 1,231 bilhão em novembro, também bem abaixo dos US$ 3,5 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. No ano, o volume subiu para US$ 45,485 bilhões, ante US$ 37,841 bilhões no mesmo período de 2013. Carolina ressalta que a recente alta do dólar e a expectativa de que o movimento deve continuar em 2015, principalmente, pela expectativa de aumento dos juros nos Estados Unidos, deve levar as empresas a desistirem de buscar recursos no mercado externo. “A tendência do dólar é de alta. Ninguém vai querer assumir volatilidade de dólar neste momento”, pondera.

Além disso, ela avalia que as investigações que envolvem denúncias de corrupção na Petrobras e que envolvem empresas do setor de construção também devem afastar a estatal deste mercado. “A Petrobras não vai ser a grande emissora neste mercado, ela tem outras prioridades”, avalia a executiva.

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