Para SulAmerica Investimentos, estímulo a mercado de capitais não vem agora

Empresa prevê que medidas do ajuste fiscal devem ser consolidadas antes pela nova equipe econômica

Por O Dia

São Paulo - A perspectiva de que o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que veio do mercado e conhece os desafios do setor de fundos, possa reduzir ou até acabar com a tributação sobre os fundos de renda fixa é positiva e esperada pelo mercado. No entanto, a discussão não deve ocorrer em 2015. É o que prevê o vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello. Para ele, essa questão só deve entrar na pauta do governo no segundo ou terceiro ano de mandato, após a nova equipe econômica conseguir consolidar a ortodoxia.

Para Mello, o ministro irá analisar a questão como ela deve ser, da forma estrutural. Ele lembra que não faz sentido produtos semelhantes terem tributação diferenciada. É o caso do Certificado de Depósito Bancário (CDB) e os fundos de renda fixa. No primeiro produto não há o chamado come-cotas — cobrança de Imposto de Renda antecipada sobre os rendimentos de investimentos de fundos, como renda fixa e DI, o que acaba atraindo investidores que buscam esse tipo de investimento quando a taxa de juro está em alta e as incertezas são grandes. “É necessário acabar com a hegemonia entre o CDB e os fundos. O governo precisa entender que não está abrindo mão de receita e, sim, atraindo arrecadação”, diz.

O executivo ressalta que o primeiro ano de mandato será um período de grandes ajustes e desafios e, por isso, o governo não irá tocar no tema, até porque, poderia não ser bem visto pelo mercado um projeto de redução de tributação neste momento. “Se a ortodoxia que o mercado espera se confirmar, abre espaço para implementar outras ações. Primeiro, tem que se consolidar. Só para o segundo ou terceiro ano deve entrar na pauta”, diz.

Para 2015, Mello acredita que a posição passiva nos fundos deve prevalecer, em razão da tendência de alta da Selic, mas irá optar por uma estratégia ativa. Ele lembra que dentro dos fundos de renda fixa é possível ter gestão ativa com os fundos de crédito. “Renda fixa de crédito privado são fundos ativos e este mercado continuará crescendo”, estima.

De acordo com ele, deve haver janelas de crédito no primeiro trimestre de 2015, com um número grande de emissão de empresas para rolagem de dívida. “Se você olha o ano e vê perspectiva de queda para a Selic, você espera uma janela melhor para emitir. Mas não é isso, a perspectiva é de alta, não tem muita janela para esperar”, diz, ressaltando que em razão da alta da inflação e da Selic, e os ajustes macroeconômicos, o volume de emissões deve ser maior no primeiro semestre. O executivo avalia ainda que os setores mais ativos serão financeiro, CDB e debêntures para infraestrutura. “As empresas que têm Capex alto, como energia, construção civil e telefonia, vão buscar funding no mercado”, avalia.

Mello avalia que o mercado externo deve ficar mais caro e com os investidores menos dispostos a ficar com papéis de empresas brasileiras. A maior precificação deve se dar em razão das denúncias que envolvem a Petrobras, uma das empresas que mais busca o mercado internacional. “O investidor está mais seletivo e o mercado mais volátil. Não é questão só de Brasil, tem taxa de juro subindo nos EUA. Acho que grande parte (emissão) vai ser feita no Brasil”, estima.

O presidente da SulAmérica, Gabriel Portella, que também participou de encontro com jornalistas, disse ainda que não está descartado uma nova aquisição no segmento de odontologia (seguro) ainda no primeiro semestre do ano. “Estamos sempre olhando oportunidades. Um momento de crise traz oportunidades. A aquisição pode ser de uma empresa regional ou nacional”, diz. Portella ressalta que a aquisição não visa ganhar a liderança nos segmentos em que atua, mas, sim, a diversificação. “Mais que crescer, queremos que todos os clientes tenham o nosso produto”, diz

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