Ação PN da Petrobras vai abaixo de R$ 10 e derruba o Ibovespa

Papel da estatal despencou 9,20%, cotado a R$ 9,18. Dólar sobe e encosta nos R$ 2,70, ao atingir o maior valor em mais de nove anos

Por O Dia

A Bovespa fechou em queda pelo segundo pregão nesta segunda-feira, pressionada pelo forte declínio das ações da Petrobras, renovando mínimas para as preferenciais desde 2005, em meio a novo adiamento da divulgação do balanço trimestral não auditado da estatal e queda dos preços do petróleo no exterior.

O recuo dos papéis da Petrobras potencializou um movimento global de aversão a risco, particularmente em mercados emergentes, que fez despencar a moeda da Rússia e derrubou a lira turca e colocou o índice MSCI de emergentes nos níveis de março deste ano.

No Brasil, o Ibovespa fechou em baixa de 2,05%, aos 47.018 pontos, também renovando menor patamar desde março, após ensaiar uma recuperação na primeira etapa do dia, quando chegou a subir a 48.401 pontos.

O volume da sessão alcançava cerca de R$ 10 bilhões, inflado pelo vencimento dos contratos de opções sobre ações encerrado às 13h, que somou R$ 3,6 bilhões.

As ações preferenciais da Petrobras caíram 9,20% - maior queda diária desde 27 de outubro deste ano, para R$ 9,18  e pressionaram o índice. O papel caiu mais de 10% três vezes durante o pregão e foi, automaticamente, a leilão às 15h, 16h33 e 16h51. "É um procedimento automático da Bolsa e acontece com qualquer ação que estiver caindo abaixo de 10%. Os leilões duram, no mínimo, dois minutos", afirmou o analista da Clear Corretora Raphael Figueiredo. 

O desempenho negativo foi replicado também em Nova York. Pouco antes do fechamento da sessão, as ADRs da estatal recuavam 11,67%, cotadas a US$ 6,28.

No mercado de câmbio, o dólar avançou mais de 1% e fechou em alta pela quarta sessão seguida nesta segunda-feira, aproximando-se do patamar de R$ 2,70, com investidores sob a expectativa sobre o futuro do programa de intervenções no câmbio do Banco Central e com o mau humor externo diante da queda dos preços do petróleo.

A moeda norte-americana subiu 1,29%, cotada a R$ 2,685 na venda - a maior cotação desde 29 de março de 2005 (R$ 2,69) e acumulando avanço de 3,36% nos quatro últimos pregões.

"O mercado já está com a pulga atrás da orelha, esperando uma sinalização mais contundente do BC sobre o programa de câmbio", disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues. "Agora, com o mau humor no exterior, não há quem segure", acrescentou.

Sob o atual modelo de intervenções e marcado para durar até o final do ano, o BC oferta diariamente até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares.

O presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, já afirmou que o atual estoque de swaps, correspondente a pouco mais de US$ 100 bilhões, já dá conta da demanda por proteção, alimentando expectativas de que o BC pode reduzir sua presença no mercado em 2015.

"Cada dia que passa o mercado fica mais ansioso sobre o BC. E, quando tem incerteza, o mercado busca proteção no dólar", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

O mercado também continuava sob a expectativa de quais medidas serão adotadas pela nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff para enfrentar o quadro de inflação alta e crescimento baixo, sobretudo via política fiscal.

O dólar ampliou os ganhos na segunda metade do pregão após os preços do petróleo anularem a breve recuperação e voltarem a cair, renovando as mínimas de cinco anos. A commodity vem reagindo à oferta abundante e demanda fraca, sintoma de fraqueza na recuperação econômica global.

O mau humor externo também era corroborado pela perspectiva de política monetária mais apertada nos Estados Unidos, que poderia atrair para o país recursos atualmente aplicados em países como o Brasil. O Federal Reserve, banco central norte-americano, reúne-se nesta semana e terá de decidir se descarta a promessa de manter os juros quase zerados por um "tempo considerável".

"Os dados dos EUA têm vindo bons e os diretores do Fed têm se mostrado um pouco mais confiantes. Essa pode ser uma reunião importante", disse o operador de uma corretora internacional.

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