Por parroyo
O principal índice da bolsa paulista fechou em alta nesta quinta-feira, após quatro quedas seguidas, amparado principalmente nos fortes ganhos das ações da Petrobras, mas longe das máximas do dia, em meio à piora dos pregões em Wall Street.
O Ibovespa subiu 0,80%, aos 48.026 pontos. Na máxima do dia chegou a 48.853 pontos, em alta de 2,5%. O volume financeiro alcançou R$ 7 bilhões de reais.
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As ações preferenciais da Petrobras avançaram quase 7%, ajustando-se à alta expressiva do petróleo no final da quarta-feira, mesmo após o enfraquecimento da commodity ao longo desta sessão.
Também repercutiu a confirmação da estatal de que divulgará o balanço dia 27 de janeiro se o Conselho de Administração aprovar.
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"Há muita especulação e giro com Petrobras. Dados de produção e repiques do petróleo ajudam, mas boa parte dos investidores ainda aguarda a poeira baixar", disse o gerente de renda variável da Fator Corretora, Frederico Lukaisus.
Itaú Unibanco e Bradesco chegaram a avançar mais de 2% cada, mas fecharam em queda de 0,88% e 1,02%, respectivamente, enfraquecendo o Ibovespa na parte da tarde. A participação conjunta desses papéis no índice chega a 20%.
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A desaceleração dos ganhos em São Paulo acompanhou a piora em Nova York, onde o S&P 500 perdia 0,54%, em uma sessão volátil, marcada por resultados corporativos e resultados fracos sobre a economia norte-americana.
A inesperada decisão do banco central suíço de não limitar a cotação do franco suíço contra o euro também repercutiu nos negócios.
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As ações das empresas de comunicação Kroton e Estácio voltaram a recuar, conforme agentes financeiros seguem apreensivos quanto às recentes mudanças nas regras dos programas de financiamento ao ensino.
Havia no mercado expectativa de reunião entre o setor educacional e o governo federal nesta semana sobre as recentes mudanças no Fies. Consultado, o Ministério da Educação disse que não há nada marcado oficialmente nesta semana.
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Na véspera, o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) enviou ofício ao ministério pedindo revisão das alterações das regras do Fies, citando que algumas delas, "impactam fortemente o planejamento das instituições de ensino".
Algumas ações do setor elétrico, principalmente de companhias geradoras como a Cesp também recuaram, com incertezas ainda presentes no setor. Analistas do Itaú BBA escreveram em relatório recente que esperam resultados piores para a companhia em razão do cenário hidrológico pior do que o previsto, agravando o déficit de geração hidrelétrica.
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Os papéis da Multiplan avançaram 3,32%, em meio à repercussão positiva de analistas, após a empresa divulgar que as vendas em shoppings no quarto trimestre somaram R$ 4,1 bilhões, alta de 11,3%.
Vale experimentou uma trégua, após despencar 8% na véspera, com as preferenciais fechando em alta de 0,82%.
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Dólar
O dólar fechou em alta de 0,80% nesta quinta-feira, cotada a R$ 2,642 na venda, após alcançar R$ 2,595 na mínima da sessão, queda de quase 1% e menor nível intradia em pouco mais de um mês.
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A queda vista mais cedo refletiu expectativas de que a política monetária dos Estados Unidos poderá continuar frouxa por mais tempo do que o esperado e de mais estímulos na zona do euro. A perspectiva de maior rigor fiscal no Brasil também havia contribuído para o sentimento positivo no mercado doméstico.
"O dólar caiu muito recentemente, e o mercado começa a perguntar se tem fundamento para tanto", disse o operador de câmbio da corretora B&T Marcos Trabbold, ressaltando também a ação de importadores, para quem as cotações se tornaram mais atraentes.
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Expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) adote já na semana que vem programa de compra de títulos de governos, conhecido como "quantitative easing", vêm contribuindo para aliviar o dólar nos mercados internacionais. A percepção de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, poderia ser "paciente" para elevar os juros também tem ajudado.
Isso porque, se essas expectativas se confirmarem, recursos externos tenderiam a migrar para ativos que pagam rendimentos elevados, como os brasileiros.
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No mercado de títulos da dívida pública dos Estados Unidos, existem apostas de que o Fed poderia esperar o ano que vem para começar a elevar os juros. Pesquisas da Reuters com economistas, contudo, mostravam expectativas firmes de que o aumento ocorra em junho deste ano.
"A perspectiva de estímulos na Europa e juros baixos por mais tempo nos Estados Unidos é favorável para o mercado brasileiro", disse o economista-chefe da corretora BGC Liquidez, Alfredo Barbutti. "Nós temos nossos problemas, mas parece que o mercado está pouco a pouco ficando mais tranquilo", acrescentou.
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Nesta sessão, o franco suíço também atraiu atenções, após o banco central do país surpreender os mercados e descartar o limite que vinha impondo à divisa nos últimos três anos. Com isso, o franco chegou a disparar 30% contra o euro e 25% contra o dólar.
Operadores afirmaram, contudo, que as turbulências vindas da Suíça tiveram impacto bastante limitado no mercado brasileiro, uma vez que a perspectiva de maior disciplina fiscal no Brasil tem animado investidores.
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Medidas de controle das contas públicas anunciadas pela nova equipe econômica vêm agradando os agentes financeiros.
"As intenções da equipe econômica têm vindo bem em linha com o que o mercado quer, mas é difícil saber se eles vão conseguir cumprir o prometido", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.
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