Ibovespa sobe 0,39% na semana, mas mantém tendência de queda

Copom, prévia da inflação de janeiro, provável anúncio de mais estímulos na Zona do Euro e PIB da China centram atenção do mercado

Por O Dia

O Ibovespa sobe, desce, mas não sai do lugar. Na última semana, após três quedas e duas altas, o índice acumulou leve ganho de 0,39%, mas continua em tendência de baixa – no ano, o recuo é de 1,95%. Analistas apontam que o mesmo cenário de indefinição deve se estender pelos próximos pregões, com os agentes de olho no Copom, na prévia da inflação de janeiro e no provável anúncio de um programa de estímulo na Europa.

Na sexta-feira, o principal índice da Bovespa subiu 2,06%, aos 49.016 pontos. “Enquanto o Ibovespa estiver oscilando entre a resistência dos 50.260 pontos e o suporte de 47.260 pontos, o mercado deve continuar indefinido. Pelo histórico técnico, há mais chances da perda desse suporte do que de um avanço”, afirmou o analista da Clear Corretora, Raphael Figueiredo.

A semana já deve começar volátil. Na segunda-feira, haverá vencimento de opções sobre ações, enquanto os mercados dos Estados Unidos permanecerão fechados por conta do feriado que comemora o dia de Martin Luther King. Na agenda do Brasil, o grande destaque é reunião do Copom, que irá divulgar a decisão sobre a taxa básica de juros na quarta-feira.

Em meio à alta dos preços administrados – energia e transporte público –, o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno, aposta em um acréscimo de 0,50 ponto percentual na Selic - hoje em 11,75% ao ano.Tal perspectiva é consenso, mas não unanimidade no mercado, uma vez que alguns economistas esperam uma alta de 0,25 ponto percentual. “Embora a inflação tenha terminado o ano passado abaixo do teto da meta (em 6,41%), a expectativa é que ela suba forte em janeiro por conta dos preços administrados. Por isso, o Banco Central deve manter a vigilância”, disse Rostagno.

A expectativa do estrategista em relação à alta dos preços pode se confirmar na quinta-feira, quando será conhecida a prévia oficial da inflação de janeiro, medida pelo IPCA-15. “Esperamos variação de 0,86%, o que significa aceleração em comparação ao mês anterior, quando o índice variou 0,79%. O avanço deve ser puxado pelos grupos de alimentação e habitação. No acumulado de 12 meses, o IPCA tende acelerar novamente, passado de 6,46% para 6,66%”, avaliou a consultoria Rosenberg Associados, em relatório.

Entre os indicadores externos, o destaque fica para a decisão de juros na Zona do Euro, na quinta-feira. Os investidores precificam que o Banco Central Europeu (BCE) anuncie um programa de compra de títulos semelhante ao praticado pelo Federal Reserve (Fed, o banco Central norte-americano). “A duvida é qual será o tamanho desse programa”, apontou Rostagno,para quem a queda de 0,02% na inflação do bloco econômico em dezembro – o pior resultado desde setembro de 2009 – deve ser a gota d’água para que o presidente da autoridade monetária, Mario Drahgui, promova mais liquidez no mercado para sanar o insistente movimento de deflação.

Na China, o governo divulga, na terça-feira, o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do país referente ao quarto trimestre de 2014. A expectativa média do mercado, medida pela Bloomberg, é avanço de 1,7% na comparação trimestral e alta de 7,2% na comparação anual. “O número deve balizar o preço das commodities, principalmente do cobre e do minério de ferro. Se o dado vier abaixo da expectativa, pode haver um novo mergulho no preço dessas matérias-primas”, projetou Rostagno.

Dólar

No mercado de câmbio, o dólar fechou esta sexta-feira em queda de 0,79%, cotado a R$ 2,621 na venda. Na semana, a divisa acumulou desvalorização de 0,67% em meio à expectativa por maior rigor fiscal no mercado doméstico, juros baixos por mais tempo nos Estados Unidos e anúncio de um programa de estímulo na Europa.

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