Copom eleva a Selic para 12,25% ao ano

Mercado já esperava alta de meio ponto percentual na taxa básica de juros em meio ao reajuste dos preços administrados

Por O Dia

Em linha com a expectativa do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, elevar a Selic em 0,50 ponto percentual (p.p.), para 12,25% ao ano – o maior nível desde julho de 2011. O ciclo de aperto monetário começou logo após a eleição presidencial do ano passado, quando a autoridade monetária acrescentou 0,25 p.p. na Selic, que se encontrava em 11%.

“ Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 12,25% a.a., sem viés.”, afirmou a autoridade monetária, em comunicado.  

A decisão do BC já era esperada pela maioria dos economistas, que interpretaram sinais da continuidade no ritmo de aperto monetário no último relatório de inflação, divulgado no fim do ano passado. “O BC parou de usar a palavra ‘parcimônia’ ao apresentar um discurso mais duro em relação ao combate à inflação, e isso foi entendido como a continuidade do ritmo de alta da Selic em 0,50 ponto percentual”, disse o economista-chefe da SulAmerica, Newton Rosa, para quem haverá mais uma alta de 0,25 p.p na Selic no fim de fevereiro.

No relatório de inflação, publicado em dezembro do ano passado, o BC afirmou que “a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação persistam no horizonte relevante para a política monetária”, e cravou o compromisso de segurar a alta dos preços. “O Comitê irá fazer o que for necessário para que no próximo ano (2015) a inflação entre em longo período de declínio, que a levará à meta de 4,5% em 2016”, apontou a autoridade monetária.

“Nós estamos vendo uma mudança de postura em relação à política econômica. Ao mesmo tempo em que o governo anuncia medidas fiscais, o BC mostra disposição para trazer a inflação para o centro da meta em meio aos reajustes de preços administrados. A alta da tarifa de energia, este ano, deve ficar em 30%, bem acima dos 17,6% previstos pelo BC no fim do ano passado. A autoridade monetária só não acrescentou 0,75 p.p. à Selic agora por conta do cenário pouco favorável”, disse o economista da Guide Investimentos, Ignácio Crespo.

Crescimento da Economia

O cenário pouco favorável ao qual se referiu Crespo significa o baixo crescimento da economia – de acordo com o último relatório Focus, o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano deve avançar modestos 0,38%. Por esse motivo, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, era um dos poucos que acreditava que o Copom iria acrescentar 0,25 (p.p.) na Selic. “O mercado está exigindo que o governo jogue o país numa recessão para recobrar a confiança. Isso não faz sentido”, afirmou.

Perfeito defende que a alta dos preços administrados deve ser compensada pela queda dos preços livres, uma vez que a economia já está desacelerando, movimento que deve se intensificar como reflexo tanto do aumento da taxa de juros do BNDES, quanto da elevação da taxa de financiamento imobiliário pela Caixa Econômica Federal. Na última segunda-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou também a elevação do IOF para o crédito ao consumidor. “Projeto retração de 0,35% na economia este ano, ao considerar um cenário em que a Selic ficasse em 12%”, disse.

Levy, que representa o Brasil no Forum Econômico Mundial, evento que reúne empresários de todo o mundo em Davos, na Suíça, admitiu em entrevista concedida nesta quarta-feira para a agência de notícias Bloomberg, que a economia do país pode mostrar recuo em um dos trimestres de 2015.

Capital especulativo

Após a alta dos juros no Brasil, tudo indica que, nesta quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) deve anunciar um programa de estímulo semelhante ao Quantitative Easing, promovido pelo Federel Reserve (Fed, o banco central norte-americano). A expectativa é que o BCE compre mensalmente o montante de € 50 bilhões em títulos, o que significa um aumento de liquidez no mercado.

“A tendência é que os investidores busquem melhores remunerações, e isso deve trazer mais recursos temporários para o Brasil, que oferece uma taxa de juro atrativa”, avaliou Rosa, para quem essa entrada de dinheiro no país pode atenuar a pressão sobre o real. “É um componente pró-valorização do real, mas a tendência maior de desvalorização permanece por conta do avanço do dólar, queda no preço das commodities na China e déficit em conta corrente”, disse.

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