Índices setoriais têm queda generalizada na Bolsa

Expectativa de crescimento econômico fraco pesa e renda variável pode ter outro ano de baixa valorização

Por O Dia

São Paulo - Apagão de energia elétrica, racionamento de água, alta das taxas de juros e ajustes macreconômicos são alguns dos eventos que devem pesar negativamente nas empresas e, consequentemente no mercado de capitais. Desde o início do ano até o dia 19, todos os índices setoriais da BM&FBovespa apresentam performance negativa, seguindo o benchmark ds Bolsa, o Ibovespa. O movimento reflete a expectativa de menor crescimento da economia.

Entre os setoriais, a queda mais acentuada foi verificada no índice Small Cap, seguida do Util e do Imat. De acordo com o analista da Clear Corretora Raphael Figueredo, por mais que todos esses setores estejam em queda, há fatores que os diferenciam, mas o conjunto da obra acaba conduzindo a limitação do mercado. De acordo com ele, o índice de material básico (Imat) tem registrado forte queda desde novembro, porque é um segmento influenciado por commodities que têm apresentado quedas constantes e não há perspectiva de mudança no curto prazo. O Ibovespa, que é um misto de empresas de vários setores, acaba sendo influenciado por diversos fatores micro e macroeconomicos. No entanto, há papéis com maior peso, como Petrobras, Vale, bancos e siderúrgicas, que acabam influenciado mais ou menos.

O IEE, índice que já foi o “queridinho” de muitos investidores porque as empresas de energia pagavam bons dividendos, também deve continuar sofrendo ao longo do ano diante da expectativa de novos apagões. Na segunda-feira, houve um apagão em 10 estados e no Distrito Federal, que levou as empresas do setor a amargarem forte queda. Além disso, o racionamento de água é outro item que preocupa, já que sem água e sem luz as empresas deixam de produzir, o comércio deixa de vender e a atividade econômica não cresce. “Apagão e racionamento ainda vão pesar e isso pode fazer com que o PIB não cresça nada, pelo contrário, tenha um desempenho negativo”, avalia.

Segundo o boletim dados de mercado da BM&FBovespa, o volume negociado no mercado à vista até o dia 19 na Bolsa somou R$ 73,8 bilhões. A participação do investidor estrangeiro é de 53,4% do total, seguida de institucional, 27,2% e pessoa física, 13,1%.

Para o professor de Economia e Finanças de Graduação e Pós-Graduação da Metrocamp, do grupo Ibmec, Fabrício Pessato Ferreira, o ano de 2015 vai ser mais um ano perdido, principalmente para a Bolsa. Segundo ele, se em 2014 que o país tinha uma política frouxa houve um crescimento pífio da economia, este, com os ajustes necessários, como aperto de gastos públicos para controlar a inflação, poderá ser ainda mais difícil. “Teremos políticas macroeconômicas apertadas, a tendência é que o crescimento da economia, no máximo, empate com 2014”, diz.

Ferreira observa que o governo vem adotando medidas para taxar setores que têm boa performance, como o de bebidas e o de cosméticos, este último teve a alíquota de IPI equiparada. O imposto incidia apenas no setor industrial, agora passará ao atacadista. “O governo tem olhado as empresas com melhor desempenho e buscado forma de tributar. Foi o que aconteceu com o setor de bebidas, logo após a Copa do Mundo e, agora, com o de cosmético. O objetivo é tentar arrecadar mais”, diz.

O sócio da Quadrante Investimentos Álvaro Marangoni, avalia que este é m ano para a renda fixa. De acordo com ele, as medidas anunciadas pelo governo para trazer a economia de volta para o caminho do crescimento são boas, mas é necessário ver a implementação, a execução e os resultados. “As medidas anunciadas, apesar de corretas, vão levar a desaceleração econômica, contenção de crédito, aumento da taxa de juro e ainda tem a falta de água e de energia. Num cenário de atividade desacelerando fica difícil as empresas terem mais lucro. Neste cenário, a Bolsa não deve ter bom retorno”, diz. Sobre maior liquidez no mercado global em razão de programas de estímulo na Europa e no Japão, Marangoni avalia que parte pode vir para o Brasil, mas não para renda variável. “Na renda fixa o investidor ganha o prêmio e na Bolsa precisa da apreciação do ativo”, diz.

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