Ação da Petrobras cai mais de 11% e derruba Ibovespa

Índice recua 1,85%, aos 47.694 pontos - o pior patamar em duas semanas Estatal frustra o mercado ao não apontar as baixas contábeis referentes à corrupção no balanço

Por O Dia

O Ibovespa operou em forte queda durante toda a quarta-feira pressionado pelos papéis da Petrobras, que recuaram mais de 11% após a divulgação do balanço do terceiro trimestre do ano passado, que veio a público sem apontar as perdas referentes à corrupção. A estatal calculou baixas contábeis de R$ 88,6 bilhões, mas a metodologia utilizada não aponta com precisão quanto desse montante foi efetivamente desviado por corrupção, pois existem ainda perdas por variação cambial, por exemplo. Por isso,  a estatal optou por não publicar o número.

“O Conselho de Administração não chegou a um consenso em relação às baixas contábeis, e continuarão presentes as incertezas em torno da companhia. Não é só ruim para ela, pois seus menores investimentos afetam, e de forma expressiva, os investimentos do país como um todo. Isso que deve continuar contribuindo para a revisão (para baixo) do crescimento do PIB nas próximas semanas”, apontou a Guide Investimentos, em nota.

O principal índice da Bovespa fechou em queda de 1,85%, aos 47. 694 pontos - o pior nível desde o dia 14. Os papéis preferenciais da estatal lideraram as perdas ao recuar 11,21%, cotados a R$ 9,03,  seguidos pelos ordinários, que perderam 10,48%, negociados a R$ 8,63. “Sobre o fluxo de caixa, a empresa reiterou a manutenção da política de preços de diesel e gasolina não repassando a volatilidade do mercado internacional”, destacou o Banco Fator, em relatório. 

Além da situação delicada da Petrobras, também repercutiu nos mercados brasileiros a percepção de que o ajuste fiscal comandado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, terá que passar por rodadas de negociação antes de ser colocado em prática. "Não será fácil, e os mercados vão precificando isso, após semanas de maior euforia e otimismo... Começamos a ouvir críticas às mudanças, à medida que os ajustes são anunciados", disse a corretora Guide Investimentos.

Na terça-feira, o presidente-executivo do Credit Suisse no Brasil, José Olympio Pereira, disse que o governo federal dará um sinal negativo para o mercado se voltar atrás nas medidas de ajuste do seguro-desemprego anunciadas recentemente.  Ações de bancos como Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco seguiram a Petrobras entre as maiores pressões negativas do Ibovespa do dia, além da companhia de educação Kroton.

A construtora e incorporadora PDG Realty perdeu 5%, com o mercado ainda pessimista sobre as perspectivas para seus resultados. No campo positivo, o destaque foram as ações da fabricante de cigarros Souza Cruz.

Nos Estados Unidos, as bolsas abriram no azul embaladas pelo lucro recorde da Apple no último trimestre de 2014, puxado pela venda de 74,5 milhões de iPhones no período. Entretanto, os índices caminham para fechamento em campo negativo. O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), sinalizou que será "paciente" na condução da política monetária. Entretanto, a posição de aumentar a taxa de juros ainda este ano foi mantida. 

Dólar

No mercado de câmbio, o dólar fechou em alta de 0,25%, cotado a R$ 2,576 na venda.  "O mercado está um pouco na defensiva em função do Fed", resumiu mais cedo o operador de câmbio da corretora Walpires José Carlos Amado, lembrando que a queda recente do dólar, de 3,31 por cento no ano até a véspera, também favorece a ação de compradores.

O Fed divulgou, simultaneamente ao fechamento do mercado de câmbio à vista, que continuará "paciente" para elevar os juros e que a economia dos Estados Unidos está nos trilhos, apesar das turbulências em outros mercados ao redor do mundo.

Após a divulgação do comunicado, a cotação do primeiro contrato de dólar futuro, para fevereiro, passou a cair na BM&F.

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