Por parroyo
Após um pregão bastante volátil, a bolsa brasileira fechou com ligeira alta nesta quinta-feira, uma vez que as ações da Petrobras reduziram as perdas e notícias corporativas pontuais levantaram alguns papéis de peso, aliviando a pressão sobre o principal índice da Bovespa.
O Ibovespa teve variação positiva de 0,14%, a 47.762 pontos, após cair 1,44% no pior momento do dia. O giro financeiro foi de R$ 6,67 bilhões.
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Segundo o gerente de renda variável da H.Commcor, Ariovaldo Santos, a ligeira alta da bolsa teve um componente de recuperação, após as perdas de 1,85% da véspera.
A ação da produtora de bebidas Ambev, cuja recomendação foi elevada para compra ante neutra pelo Citi, e a companhia de meios de pagamento Cielo, que divulgou balanço do quarto trimestre bem recebido pelo mercado, ajudaram a sustentar o índice no azul.
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O analista do UBS Frederic De Mariz disse, em relatório, que as fortes receitas da Cielo mostraram resiliência e compensaram os custos mais altos que o esperado, mantendo a recomendação de compra para os papéis.
As companhias do setor elétrico Light e Cemig fecharam com as maiores valorizações do Ibovespa, em meio a comentários do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. O ministro disse que as negociações do governo federal com bancos para um terceiro empréstimo às distribuidoras de energia elétrica estão em fase de conclusão. Ele ressaltou, porém, que as conversas estão sendo conduzidas pelo Ministério da Fazenda.
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A produtora de celulose Fibria subiu quase 3%, com investidores reagindo ao seu resultado operacional acima do previsto e prejuízo menor que o esperado. Executivos da empresa afirmaram em teleconferência que continuam otimistas com o cenário para a celulose.
As ações preferenciais da Petrobras fecharam em queda de 3,1%, após recuarem mais de 7% na sessão, na sequência de baixa superior a 10% na véspera. Investidores continuam preocupados com o tamanho de uma baixa contábil relacionada a escândalo de corrupção que não foi incluída no balanço do terceiro trimestre não auditado divulgado pela empresa.
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Em teleconferência com investidores e analistas, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que a estatal pode não declarar ou não pagar dividendos em caso de não ter lucro em determinado período e pode declarar o dividendo e não realizar o pagamento se tiver lucro.
A mineradora Vale acabou fechando com perdas superiores às da Petrobras, afetando também Bradespar, que tem participação na empresa. Analistas esperam que a mineradora anuncie ainda nesta semana proposta de dividendos para 2015, em um momento de cautela diante da queda dos preços do minério de ferro.
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Por sua vez, os papéis do Bradesco, que reagiram em alta no início do pregão ao balanço do banco, viraram para o negativo com avaliações mais conservadoras de analistas, incluindo reservas quanto ao cenário para 2015 diante da fraca atividade econômica. Os analistas do BTG Pactual previram que o ritmo de expansão do lucro do banco vai perder força em 2015, para cerca de 15%.
Dólar
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O dólar fechou em alta de 1,37%, cotado a R$ 2,612 na venda, após o Federal Reserve reiterar na véspera o otimismo sobre a economia dos Estados Unidos, reforçando as apostas de que o banco central norte-americano deve elevar os juros ainda neste ano.
"Está claro que a economia dos Estados Unidos vai ter que parecer muito pior para que o Fed decida adiar a alta dos juros", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.
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Ao fim da primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do ano, o Fed informou na véspera em comunicado que a economia dos EUA está se expandindo em "ritmo sólido", com fortes ganhos do emprego.
O documento levou parte dos agentes financeiros a reforçar a aposta de que a alta dos juros norte-americanos provavelmente virá neste ano. Nas últimas semanas, vinha ganhando corpo nos mercados a expectativa de que isso poderia acontecer mais tarde, embora economistas consultados em pesquisas da Reuters não acreditassem nesse cenário e vissem o aumento em meados deste ano.
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A alta dos juros na maior economia do mundo deve atrair para os EUA recursos aplicados em outros mercados, como o brasileiro, impactando o câmbio. Por isso, a divisa norte-americana se fortalecia contra as principais moedas emergentes, como os pesos chileno e mexicano.
No Brasil, o dólar voltou a superar o patamar de R$ 2,60, após romper esse nível de suporte na semana passada. As medidas de rigor fiscal adotadas pelo governo brasileiro e expectativas de liquidez abundante nos mercados globais graças aos estímulos monetários na zona do euro contribuíram para reduzir as cotações do dólar.
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"Dá para imaginar o dólar girando em torno de 2,60 reais. Os fundamentos não sustentam uma queda muito maior do que isso", disse o operador de câmbio de um importante banco internacional.