Por parroyo
Publicado 04/02/2015 20:07 | Atualizado 04/02/2015 20:14

O dólar fechou em alta de 1,78% ante o real nesta quarta-feira, atingindo o maior nível em quase 10 anos - R$ 2,74, com a persistente queda dos preços do petróleo e a expectativa de que os juros dos Estados Unidos subam em meados deste ano.

No Brasil, o movimento foi acentuado por uma série de operações de compras automáticas de divisas, conhecidas como "stop-loss". Na avaliação de operadores, houve algum exagero que pode ser corrigido nas próximas sessões, mas não se contempla um cenário em que a moeda norte-americana volte para perto de R$ 2,60.

"Não faltou motivo para o dólar subir hoje. Temos o petróleo, o dado de emprego nos EUA e o fator técnico pesou muito", disse o operador de câmbio de um importante banco internacional. "A verdade é que não temos fundamento para sustentar um real muito mais forte do que isso", acrescentou.

Neste ano, a moeda norte-americana acumula alta de mais de 3% sobre o real. Estes ganhos também foram impulsionados por declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que afirmou na sexta-feira passada não haver a intenção de manter o câmbio sobrevalorizado.

Vários analistas estimam que o "valor justo" do dólar em relação ao real deveria ser mais alto do que o atual, devido à deterioração de fundamentos macroeconômicos do Brasil. Na pesquisa Focus do Banco Central, economistas de instituições financeiras estimam que a divisa norte-americana encerre 2015 em R$ 2,80, refletindo também a expectativa de alta dos juros norte-americanos.

"A impressão que eu tenho é que o dólar estava baixo demais e a alta dos últimos dias serviu para corrigir esse desequilíbrio", disse o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca.

A perspectiva de que os juros dos EUA subam em breve foi reforçada nesta sessão por dados sobre o mercado de trabalho do país. O setor privado norte-americano criou 213 mil postos de trabalho em janeiro, levemente abaixo das expectativas de economistas, mas o resultado foi compensado pela revisão para cima do dado de janeiro, que subiu 12 mil, a 253 mil.

A persistente queda dos preços do petróleo e as preocupações em torno da Petrobras também contribuíram para o mau humor aqui. Na sessão anterior, notícias sobre mudanças na diretoria da Petrobras haviam alimentado a demanda de investidores estrangeiros pelo papel da estatal e contribuído para reduzir as cotações do dólar.

Nesta manhã, a presidente da companhia, Maria das Graças Foster, e cinco diretores renunciaram a seus cargos. Novos executivos serão eleitos em reunião do Conselho Administrativo na sexta-feira.

Bolsa

O principal índice da bolsa paulista fechou em alta nesta quarta-feira, pelo terceiro pregão seguido, puxado pelo forte avanço de ações de bancos, em sessão marcada pela repercussão da renúncia de boa parte da diretoria da Petrobras, incluindo a presidente da estatal, Maria das Graças Foster.

De acordo com dados preliminares, o Ibovespa avançou 0,69%, aos 49.301 pontos. Na máxima, chegou a subir 1,54%, a 49.718 pontos. O volume financeiro da sessão alcançou R$ 7,5 bilhões.

As preferenciais da Petrobras fecharam com ganho de apenas 0,60%, a r4 10,06 reais, após uma sessão volátil, também de acordo com informações preliminares.

As ações da estatal chegaram a subir quase 8%  logo após a divulgação da notícia nos primeiros minutos do pregão, mas a alta arrefeceu e as preferenciais chegaram a cair 4,4% por cento no pior momento, diante da cautela quanto aos possíveis substitutos, bem como os reais efeitos da renúncia na divulgação do balanço auditado de 2014.

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