Ibovespa sobe 1,2% com Vale e recuperação de Petrobras

Ação da mineradora sobe mais de 4% em meio à câmbio favorável e expectativa de estímulo na China

Por O Dia

O Ibovespa fechou a segunda-feira em alta, em meio à recuperação das ações da estatal do petróleo Petrobras e forte avanço dos papéis da mineradora Vale, em sessão com a primeira etapa dos negócios marcada pelo vencimento dos contratos de opções sobre ações.

O principal índice da Bolsa subiu 1,21%, aos 49.382 pontos. O volume financeiro somou R$ 7,6 bilhões de, sendo que o exercício de opções respondeu por R$ 1,578 bilhão.

O gestor da NP Investimentos Julio Erse, contudo, mostrou cautela ante o desempenho do mercado neste início de semana, citando que não houve qualquer mudança nos fundamentos que justifique alguma animação. "O cenário continua difícil para o lucro (das empresas) e o fluxo. Tudo continua muito incerto", disse.

As ações da Petrobras chegaram a cair mais 4% na abertura, ainda em meio à repercussão da troca de comando na estatal e incertezas sobre o rumo da companhia, e após bancos estrangeiros reduzirem a recomendação para os papéis.

Mas no início da tarde, passado o vencimento de opções, as ações mudaram de direção. As preferenciais fecharam em alta de 1,75% e as ordinárias subiram 1,88%. O Credit Suisse rebaixou os papéis da estatal para "underperform" e o Citi para "neutra".

Petrobras chamou a atenção pela reação, mas a Vale foi a que mais contribuiu para o desempenho positivo do Ibovespa, com alta de 4,49%, em dia de novo avanço do dólar frente ao real, perto das máximas em mais de uma década. Números desfavoráveis de importações da China também sustentaram especulações de que Pequim irá adotar novo estímulo econômico.

O câmbio também foi citado por operadores para explicar a alta de siderúrgicas como Usiminas , que subiu 8,76%  no dia, mas ainda acumula queda de mais de 20% em 2015. Uma taxa cambial depreciada ajudaria a ganhar mercado e facilitaria o repasse de aumento de preços.

A empresa de educação Kroton colaborou com a alta do Ibovespa ao subir 4,39% , após cair mais de 10% na sexta-feira, em meio a ajustes nas previsões de crescimento diante das alterações no programa de financiamento ao ensino superior, o Fies.

Entre os destaques de baixa, Qualicorp engatou a terceira sessão seguida de queda expressiva, de 4,59 por cento, em meio a preocupações sobre possíveis mudanças pelo governo nas regras para os planos de saúde. Apenas em fevereiro, o papel já cai mais de 16%.

Marcopolo também chamou atenção na ponta negativa, em baixa de 3,92%. A equipe da corretora Brasil Plural destacou notícias na imprensa no fim de semana sobre possíveis cortes de subsídios e benefícios fiscais com efeitos no setor que poderiam representar mais pressão negativa à companhia.

Braskem perdeu 3,03%, após a petroquímica afirmar que três polos no país podem ter que interromper a produção se o impasse com a fornecedora de nafta Petrobras persistir, segundo matéria publicada no Estado de S.Paulo.

Dólar

O dólar fechou praticamente estável ante o real -  com recuo de 0,03%, cotado a R$ 2,777 na venda -  mas continuou perto das máximas em mais de uma década após testar mais cedo o patamar de 2,80 reais, em meio a preocupações com o futuro da Grécia na zona do euro, a desaceleração da economia chinesa e as incertezas locais.

Segundo analistas, não há perspectiva de alívio no mau humor global no curto prazo, o que significa que a divisa pode encontrar forças para continuar a escalada nas próximas sessões.

"Não dá para saber até onde o dólar vai chegar. E como a perspectiva é incerta, qualquer susto se transforma em um movimento expressivo", disse o gerente de câmbio do Banco Confidence, Felipe Pellegrini.

Após uma semana de intensa valorização da divisa norte-americana, em meio a temores sobre a possível saída da Grécia da zona do euro e a alta dos juros nos Estados Unidos, dados fracos sobre a economia chinesa somaram-se ao quadro apreensão.

As importações chinesas caíram 20 por cento em janeiro em relação ao ano anterior, maior recuo desde maio de 2009, o que mostra que a segunda maior economia do mundo ainda está perdendo força apesar de uma série de estímulos. A China é um importante parceiro comercial do Brasil e números fracos sobre o país costumam respingar em outros mercados emergentes.

No cenário doméstico, investidores continuavam mostrando ceticismo sobre a nomeação de Aldemir Bendine à presidência-executiva da Petrobras, o que já havia contribuído para elevar o dólar na sexta-feira. Segundo analistas, a combinação de apreensão com o futuro da estatal e a fraqueza nos fundamentos macroeconômicos brasileiros faz com que os ativos brasileiros mostrem tendência pior do que de outros mercados emergentes.

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