Ibovespa sobe 2,2% com ajuda da Petrobras e volta a acumular ganho no ano

Ação da estatal sobe mais de 5% com sinais da nova gestão sobre o ajuste de investimentos. Dólar termina a semana cotado a R$ 2,83

Por O Dia

O principal índice da Bovespa fechou o último pregão antes do Carnaval acima dos 50 mil pontos e novamente no azul em 2015, com Petrobras entre as principais forças positivas, com o quadro favorável no mercado global e alta do petróleo.

O Ibovespa subiu 2,23 por cento, a 50.635 pontos. O giro financeiro da sessão somou R$ 6,6 bilhões. Na semana, o índice acumulou alta de 3,78%. Em 2015, o Ibovespa registra variação positiva de 1,26%.

Para o gestor e sócio na Principia Capital Management Marcello Paixão, o pregão local refletiu o movimento de outros emergentes ligados a commodities, que também se recuperaram na esteira da reação dos preços do petróleo, além de se beneficiar da melhora do cenário na Europa.

Nesta sexta-feira, um dado da economia alemã agradou investidores, que também seguiram esperançosos de acordo para a dívida grega numa reunião na segunda-feira, um dia após acordo de cessar-fogo entre Ucrânia e Rússia impulsionarem as bolsas.

No front doméstico, Paixão citou a repercussão favorável no mercado aos sinais da nova gestão da Petrobras acerca de ajuste de investimentos e venda de ativos visando ajustar o balanço.

As preferenciais da Petrobras subiram 5,16%, acumulando na semana uma alta de 9,53%. No ano, contudo, ainda há uma perda marginal de 0,3%. Os papéis ON fecharam o dia em alta de 4,38%.

Da temporada de balanços, Lojas Renner teve alta de 7,6%, com o resultado do quarto trimestre agradando analistas como informações como a de que as vendas nas mesmas lojas cresceram 17,3%.

TIM Participações subiu 4,1%, mesmo após o lucro líquido da operadora de telecomunicações cair 7,7% no quarto trimestre. Em nota a clientes, a corretora Brasil Plural disse que a empresa continua fazendo um bom trabalho na parte de custos.

Souza Cruz subiu 0,66%, após a empresa de tabaco encerrar o quarto trimestre com alta anual de cerca de 5% no lucro líquido.

Já o Grupo Pão de Açúcar caiu 0,9%, após a maior varejista do país reportar recuo no lucro e leve alta nas margens operacionais no quarto trimestre, enquanto o morno desempenho de vendas dificultou diluir despesas.

As ações de educação fecharam sem tendência única, após forte alta na véspera, dia em que o Ministério da Educação a reabertura do sistema do Fies para novos alunos no dia 23 e a autorização de reajuste de até 6,4% nas matrículas do programa. Kroton caiu 2,6%, mas Estácio subiu 1,1%.

A ação PNA da Usiminas caiu 1,64%, após o Conselho de Administração da empresa cancelar a divulgação dos resultados trimestrais prevista para esta manhã, e não aprovou proposta de pagamento de dividendos. O papel ON, que não integra o Ibovespa, perdeu 2,7%.

Dólar

O dólar fechou em alta ante o real nesta sexta-feira, retomando a pressão vista durante a maior parte deste mês após dar um respiro na sessão passada, com investidores minimizando o bom humor nos mercados externos e focando na deterioração dos fundamentos macroeconômicos brasileiros.

A moeda norte-americana subiu 0,37%, cotada a R$ 2,831 na venda, após acumular alta de quase 5%  neste mês até a véspera, renovando as máximas em mais de uma década. Na semana, o dólar acumulou alta de 1,91% ante o real.

"Por um lado, o mercado externo está bem favorável. Mas, por outro, o lado doméstico não ajuda. Então o mercado opera de uma forma um pouco indecisa", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.

Alguns investidores temiam que a perspectiva de contração econômica e inflação acima do teto da meta neste ano, somada à crise na Petrobras e ao possível racionamento de energia e água, possa provocar a perda do grau de investimento brasileiro, o que diminuía o apetite por ativos domésticos.

"Se não tivermos nenhuma marola, sobreviveremos a 2015. Mas se houver qualquer marolinha, o cenário se complica muito", disse o estrategista da corretora Coinvalores Paulo Celso Nepomuceno.

Por isso, o mercado doméstico se descolou um pouco do quadro externo, onde o acordo de cessar-fogo na Ucrânia e esperanças de um compromisso que resolva o impasse em torno da dívida da Grécia traziam alívio aos mercados financeiros, bem como dados melhores do que o esperado sobre a economia da zona do euro, destacadamente a Alemanha.

Investidores também seguiram atentos à política de intervenções do Banco Central brasileiro, que voltou a atrair atenções com a pressão cambial recente. A dúvida é se o BC estenderá o programa de intervenções diárias, marcado para durar "pelo menos" até 31 de março.


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