Por monica.lima

São Paulo - A forte desvalorização das ações na BM&FBovespa, em consequência da desaceleração da economia e denúncias de corrupção no âmbito doméstico, além de incertezas no cenário internacional, está levando um número crescente de companhias a aprovar programas de recompra de papéis, geralmente para evitar mais perdas da ação.

Segundo levantando da Guide Investimentos, atualmente existem mais de 70 companhias com recompra de ações em aberto. O número de recompras cresce em períodos de baixa da bolsa porque as empresas com sobra de caixa preferem comprar seus próprios papéis a preços mais baixos a aplicar os recursos no mercado. A recompra também valoriza os papéis ou evita mais queda.

Os programas costumam ser bem recebidos pelo mercado, porque mostram que os dirigentes estão confiantes quanto ao rumo da companhia, indicam que o acionista poderá receber um dividendo maior.

No entanto, a recompra não é uma boa alternativa para todas as empresas. “Depende muito de cada companhia, dos objetivos e, principalmente do caixa disponível”, afirma o estrategista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira.

Segundo Pereira, muitas vezes a empresa, mesmo com bom fundamento, sofre em razão das preocupações com o seu setor. É o caso da Gerdau, que vem sendo impactada pela queda das commodities no mercado internacional.

Luis Gustavo Pereira lembra que outra empresa que tem visto suas ações perderem valor é a Ser Educacional. De acordo com ele, a queda começou no final de 2014 e foi intensificada este ano, após o governo anunciar mudanças nos programas Fies e Pronatec. Só este ano, a ação ordinária acumula queda superior a 50%. “A recompra pode ser uma boa alternativa para dar equilíbrio, para não deixar cair demais, se não tiver comprador final pode seguir em queda livre”, diz.

Outra empresa que está com programa de recompra ativo é o banco Pine. “Mesmo sem ter os 25% de free float exigidos pela Bovespa, o banco está fazendo recompra. O objetivo é evitar forte pressão de venda”, diz.

Já no caso da Petrobras, que viu seus papéis despencarem nos últimos meses com notícias de irregularidades na empresa investigada pela operação Lava jato, o executivo da Guide analisa que não é um bom momento para esse tipo de operação. “A estatal tem uma potencial necessidade de caixa. Até como estratégia de preservação de caixa não seria um momento interessante porque ela precisa reforçar a liquidez do seu caixa”, pondera, acrescentando que “tem bastante ação descontada, vai depender da necessidade de financiamento de cada empresa. Se ela está com caixa mais robusto, é interessante. Mas se tem necessidade grande de financiamento é melhor preservar o caixa a fazer recompra. Depende da estratégia de cada companhia”, afirma.

No caso da mineradora Vale, Pereira lembra que apesar de também ter sido impactada com a queda das commodities, a companhia tem uma posição de caixa relativamente sólida. “A empresa está tentando se virar em um ambiente difícil. Queimar caixa em recompra agora só seria interessante se tivesse sofrendo forte pressão de venda”, avalia.

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