Por parroyo

A Bovespa teve a terceira alta seguida nesta Quarta-feira de Cinzas e seu principal índice acima dos 51 mil pontos pela primeira vez em mais de dois meses, em sessão marcada por vencimentos do Ibovespa e ajustes aos recibos de ações em Nova York, na véspera.

No exterior, as praças acionárias na Europa e Estados Unidos não mostraram rumo comum, com expectativas pelas negociações entre Grécia e seus credores sobre o resgate ao país que expira no fim deste mês.

No fechamento, o Federal Reserve divulgou a ata da sua última reunião de política monetária, adicionando volatilidade em Wall Street, e respingando um pouco na Bovespa.

Ainda assim, o principal índice da bolsa paulista encerrou em alta de 1,27%, aos 51.280 pontos. O giro financeiro da sessão somou R$ 16,5 bilhões, incluindo o adicional do vencimento de opções sobre o índice.

Além do ajuste de ações ao desempenho dos ADRs (recibos de ações negociados nos EUA) na véspera, e dos vencimentos do Ibovespa (opções e contrato futuro), o gerente de renda variável da Fator Corretora, Frederico Lukaisus, citou a participação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em evento nos Estados Unidos.

"A atitude de Levy tentando passar o maior comprometimento possível com as metas estipuladas também ajudou um pouco, embora o dia não teve nada de muito novo", ponderou o profissional.

Em Nova York, Levy afirmou que o país está deixando as medidas anticíclicas para trás e que a política monetária vai se tornar mais restritiva "mais cedo ou mais tarde". Disse também que está confiante na economia brasileira, apesar de compreender os temores dos investidores.

Do noticiário corporativo, Usiminas reportou geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 301,8 milhões no trimestre, queda de 41% sobre um ano antes. Ainda assim, a ação subiu 4,17%.

Analistas destacaram em relatórios que parte do resultado se deu por itens não recorrentes, como a venda de energia, e reforçaram o cenário desfavorável para o setor.

As ações preferenciais da Petrobras voltaram a fechar acima de 10 reais, o que não acontecia desde o início do ano, com o noticiário da estatal incluindo dados de produção de petróleo e gás natural no Brasil, na sexta-feira, mostrando estabilidade.

Para a equipe do Itaú BBA, contudo, o mercado está olhando pouco para dados de produção neste momento. "O foco segue nos desafios envolvendo a definição das baixas contábeis e se a companhia conseguirá atingir os prazos para publicar as demonstrações financeiras de 2014", escreveram em nota.

A administradora de planos de saúde Qualicorp esteve entre as maiores altas, subindo 7,14 por cento, embora ainda acumule perda de 5,65 por cento em fevereiro com incertezas sobre o setor.

As empresas de educação Kroton e Estácio subiram 2,34%  e 4,36%, respectivamente. A aprovação do reajuste reajuste acima da inflação nas matrículas do Fies trouxe esperanças de que o governo também irá ceder em outras mudanças nas regras do programa de financiamento ao ensino.

Dólar

O dólar fechou em alta de 0,38%, cotado a R$ 2,8422,  nesta quarta-feira, em uma sessão encurtada e de baixa liquidez na volta do feriado do Carnaval, refletindo a frustração dos investidores com a ausência de um acordo que resolva o impasse em torno da crise da dívida da Grécia, após uma reunião malsucedida do Eurogrupo no início da semana.

O mercado abriu mais tarde nesta sessão, com o interbancário funcionando a partir das 12h e a BM&F, a partir das 13h, o que explica o baixo volume de negócios, que somou cerca de 275 milhões de dólares na BM&F. "O mercado está completamente vazio. O que resta é se ajustar ao que aconteceu nos últimos dias, enquanto o mercado estava fechado", disse o superintendente de câmbio da corretora TOV, Reginaldo Siaca.

Na segunda-feira, a Grécia rejeitou uma proposta de seus parceiros na zona do euro que incluía uma extensão de seis meses nos termos do atual programa de resgate, frustrando investidores, que temem que o impasse possa levar à saída do país da zona do euro, golpeando a cambaleante recuperação global.

Uma autoridade do governo grego afirmou que o país pedirá uma prorrogação de seu acordo sobre empréstimos na quinta-feira, o que não equivale a uma extensão do programa de resgate como um todo. Inicialmente, o governo havia dito que o pedido seria feito nesta quarta-feira. Com isso, as dúvidas sobre a situação europeia continuavam.

Investidores também mantiveram os olhos na política monetária dos Estados Unidos, à espera da divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve às 17h (horário de Brasília), simultaneamente ao fechamento do mercado. Agentes financeiros buscarão no documento pistas sobre quando os juros começarão a subir na maior economia do mundo.

"Não há muito espaço para surpresas. O mercado está mais ou menos acomodado com as expectativas de que os juros (dos EUA) vão começar a subir agora no meio do ano", disse o operador de câmbio da corretora Intercam, Glauber Romano.

O documento mostrou que integrantes do Fed temem que elevar os juros cedo demais poderia golpear a recuperação econômica dos EUA. Após a divulgação da ata, o primeiro contrato de dólar futuro anulou a alta e passou a cair.

O Banco Central não fez atuações diárias nesta sessão nem leilão de rolagem de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares.


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