Ganhos dos fundos de pensão privados aumentam em 2014

Estudo da consultoria Luz com 35 entidades mostra que os planos com contribuição definida renderam em média 10,5% e os de benefício definido, 12,5%; em 2013, percentuais foram de 6,2% e 4,2%, respectivamente

Por O Dia

São Paulo - Os ganhos dos fundos de pensão patrocinados por empresas privadas aumentaram no ano passado, em relação ao ano anterior. A conclusão é de um estudo da Luz Soluções Financeiras.
A consultoria acompanha anualmente uma amostra de 35 entidades patrocinadoras, com patrimônio médio de R$ 1 bilhão cada. Em 2014, os planos com contribuição definida (CD) renderam em média 10,5% e os de benefício definido (BD), 12,5%; em 2013, os percentuais foram de 6,2% e 4,2%, respectivamente.

Os BD tem, por lei, uma meta de rentabilidade a ser atingida, que combina a variação do IPCA mais um percentual — em 2013, essa meta foi de 10,84% e no ano passado, de 11,54%. Os planos CD não tem obrigação de bater meta — que se utiliza como parâmetro para balizar seus resultados é o CDI. Em 2013, a taxa ficou em 8,05% e em 2014, 10,80%.

Ou seja, em 2013 os fundos renderam bem abaixo do que deveriam e em 2014, registraram recuperação. No caso dos BD, a média dos fundos das 35 entidades superou a meta e no caso dos CD, ficou praticamente empatado com o CDI.

Cecilia Harumi, consultora da Luz responsável pelo levantamento, diz que apesar de ser apenas uma amostra, os números indicam bem a tendência de todo o mercado. “Fazemos o acompanhamento há dez anos e, excluindo grandes fundações como Previ, Petros e Funcef, os resultados são muito parecidos”, afirma.

Cecília explica a melhora do rendimento desses fundos em 2014 por basicamente três fatores: aumento dos juros dos títulos públicos, alta do dólar e saída do mercado de ações.
A Abrapp, que representa os fundos de pensão no Brasil, ainda não divulgou as estatísticas de 2014. Em setembro , as 320 entidades tinham ativos equivalentes a 13,9% do PIB; e a rentabilidade estimada para 2014 era 7,04%. EM 2013, havia sido de 3,28%.

“Num cenário marcado pelas eleições, as oportunidades em investimentos foram escassas e, dessa forma, a busca por alternativas para preservação de capital, reduzindo a volatilidade, foram os principais movimentos”, diz. “Os estudos de gestão de ativos e passivos tiveram alta demanda”, diz.

Já este ano começou com as diretrizes de investimentos conservadoras, recebendo mínimos ajustes de rotas, segundo Cecília, que visitou todos os clientes nas últimas semanas . A Luz presta consultoria em seleção de carteiras e acompanhamento para essas fundações. “A renda fixa continua sendo mais atrativa”, completa, explicando que para aproveitar as taxas altas e escapar do excesso de volatilidade de papéis com prazos mais longos, os fundos precisam comprovar liquidez suficiente para ter condições de manter esses papéis até seu vencimento.

Cecília diz ainda que o interesse por investimentos em ações no exterior vem aumentado: “Muitas dessas entidades já tinha autorização para aplicar no exterior em seus estatutos mas só neste ano começaram efetivamente, dada as perspectivas desfavoráveis para a bolsa local”. A consultora diz, ainda, que a parcela das aplicações em ações nas carteiras vem caindo ano a ano e, de 20% que chegaram a ter, caíram a uma média de 4% em 2014.

Na renda fixa, os fundos também tem sido obrigados a buscar opções em títulos de crédito privado, como debêntures ou CDBs. “Não porque estejam atraentes, uma vez que é preciso analisar muito de perto os riscos dos emissores; mas por falta de opções mais atraentes”, diz.

Já em relação aos chamados produtos “estruturados” - fundos de recebíveis, fundos imobiliários e fundos de participações, por exemplo, Cecília diz que os clientes não querem ouvir falar. “Depois do boom, o segmento imobiliário perdeu o atrativo e deve continuar assim”, diz.

Por outro lado, Cecília explica que cada fundo de pensão tem sua característica de tipo de plano (BD, CD ou CV, ou contribuição variável), tipos e níveis de benefícios e distribuição etária de sua população. “As análises atuariais que ditam os recursos necessários para cumprimento do pagamento dos benefícios também estão recebendo novas diretrizes legais (Resolução CNPC 15/14) para avaliação dos parâmetros e hipóteses, com o objetivo de aumentar a convergência entre os limites da taxa de desconto do passivo com as taxas de juros de longo prazo praticadas pelo mercado”, explica Cecília.

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