BC não tem condições de manter programa de swap cambial

O programa de venda de dólares com compromisso de recompra, adotado em 2013, foi estendido no início de janeiro até o fim de março

Por O Dia

O Banco Central não tem como continuar o programa de swap por muito tempo, disse à Reuters uma fonte sênior do governo, avaliando que a munição para usar esse instrumento está chegando ao fim.

"O Banco Central não tem mais munição. São US$ 115 bilhões em swap e tem US$ 370 bilhões em reservas e (o programa) está indo para 40% do uso da capacidade. Então, já começa a perder credibilidade", disse a fonte em condição de anonimato.

De acordo com ele, o mercado já começa a questionar a capacidade da autoridade monetária em levar o programa adiante. O programa de swap e venda de dólares com compromisso de recompra --adotado em agosto de 2013-- foi estendido no início de janeiro até 31 de março e o BC tem até lá para indicar o que fará com esse instrumento de intervenção cambial.

O prazo se aproxima do fim num momento de forte alta do dólar no Brasil. Nesta quarta-feira, a moeda subia cerca de 1% à espera da divulgação do comunicado do banco central norte-americano sobre os juros, sendo negociada a R$ 3,265 perto das 14h.

Sobre o comentário da perda de fôlego do programa de swap cambial a assessoria de imprensa do BC disse que a instituição não comenta declarações de fontes não identificadas.

Ajuste fiscal

No âmbito das contas públicas, a fonte informou que o corte de gastos será de cerca de 60 bilhões de reais neste ano. "Vai ser um ajuste muito forte. Haverá um aperto forte", disse, indicando preocupação com o efeito do contingenciamento sobre a máquina pública. "Temos que ver o impacto em cada órgão, senão provocamos um colapso no governo."

O Orçamento federal deste ano foi aprovado na noite de terça-feira pelo Congresso Nacional e o governo tem 30 dias, a contar da sanção da lei orçamentária, para apresentar a programação de gastos para o ano.

O corte de gasto público faz parte do ajuste fiscal posto em prática pela equipe econômica para reorganizar as contas públicas e fazer com que o setor público consolidado volte a registrar superávit primário, uma condição para o país não perder sua nota grau de investimento pelas agências de classificação de risco.

A previsão, segundo informou a fonte, é que o setor público volte a registrar superávit primário no resultado de fevereiro. Em janeiro, as contas públicas apresentaram resultado positivo de R$ 21 bilhões, em desempenho influenciado pela economia de Estados e municípios.

Para este ano, a meta de superávit primário de 2015 é de R$ 66,3 bilhões (já descontados R$ 28,7 bilhões de gastos com o PAC), equivalente a 1,2% do PIB.

Crescimento

A equipe econômica trabalha para reorganizar as contas públicas de forma a assegurar bases mais sólidas para o crescimento, mas o governo não descarta a possibilidade de um PIB negativo este ano, indicou a fonte.

De acordo com ele, a saída para o crescimento ocorrerá pela desvalorização cambial, que deverá ajudar o Brasil a ganhar mercado externo com a exportação de produtos manufaturados, ao mesmo tempo em que melhora a competitividades de produtos nacionais no mercado interno.

"O que vai puxar a economia para a frente será o câmbio (...) porque também em 2015 o investimento irá encolher", comentou.

A avaliação é que esse efeito comece marginalmente no último trimestre de 2015 e seja sentido de forma mais plena no início de 2016.

Na visão da fonte, o lado ruim é que o câmbio desvalorizado provocará mais inflação. Devido a esse efeito, ele considerou que a inflação de 2015 atingirá o teto da meta, mas não irá estourar a banda máxima por um efeito do PIB fraco sobre os preços.

A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento com 2 pontos percentuais de intervalo de tolerância para cima e para baixo.

Pesquisa Focus do BC com economistas de instituições financeiras aponta uma alta de 7,93 por cento do IPCA neste ano, segundo a mediana das estimativas.

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