Bolsa tem alta de 6,9% na semana e caminha para viés positivo

Após um começo de mês difícil, ações baratas atraem investidores e movimento de compra ganha força. Mas instabilidade política segue no radar

Por O Dia

A cautela prevaleceu por mais uma semana no mercado financeiro, com os investidores focados na difícil relação entre a presidente Dilma Rousseff e o Congresso. Na avaliação de analistas, a instabilidade política pode dificultar a aprovação de medidas do ajuste fiscal, que é imprescindível para a manutenção da nota de crédito do Brasil e a consequente permanência de capital no país.

Entretanto, o movimento vendedor que perdurou na Bolsa desde o começo de março perdeu força nas últimas cinco sessões, quando o preço baixo das ações começou a despertar o interesse do mercado para a compra. No período, o Ibovespa acumulou alta de 6,94%; no ano, os ganhos somam 3,92%.

De acordo com o analista técnico da Trader Brasil, Leandro Klein, o repique direciona o Ibovespa para um viés positivo de curto prazo. O índice encerrou a sexta-feira com forte avanço, de 1,99%, aos 51.966 pontos. “O Ibovespa quase conseguiu fechar acima dos 52 mil pontos, uma importante resistência que, quando rompida, aponta para um viés positivo de curto prazo. Mas vale destacar que essa alta é baseada em especulação. A Bolsa, em dólar, está tão barata quanto no auge da crise, em 2009”, afirmou.

Na agenda doméstica, o principal destaque é o Produto Interno Bruto (PIB) referente ao quarto trimestre de 2014, a ser divulgado na sexta-feira pelo IBGE. “O PIB deve cair 0,4% em relação ao trimestre anterior, o que passa uma carga negativa para o início deste ano”, disse o economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa.

Entre os indicadores externos, o Índice Gerente de Compras da indústria (PMI, na sigla em inglês) da China referente a março será conhecido na noite de segunda-feira e deve influenciar as ações ligadas às commodities. Nos Estados Unidos é destaque a inflação ao consumidor referente a fevereiro, a ser conhecida na terça-feira, e o dado de encomendas de bens duráveis do mesmo mês, a ser conhecido na quarta-feira.

Na sexta-feira sairá ainda a última leitura do PIB dos Estados Unidos referente ao quarto trimestre. “Esse número não deve influenciar tanto os negócios a não ser que venha algo muito diferente de alta de 2,4%. Mas tanto a inflação quanto as encomendas da indústria podem reforçar o cenário de retomada mais firme da economia, o que pode acentuar as apostas do mercado na alta dos juros no início do segundo semestre”, apontou Rosa.

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