Bolsa segue EUA e renova a máxima de fechamento desde novembro

Após dado fraco de emprego nos EUA, mercado aposta que Fed pode manter juro baixo por mais tempo. Dólar cai, cotado a R$ 3,12

Por O Dia

O principal índice da Bovespa renovou a máxima de fechamento desde o final de novembro nesta segunda-feira, chegando a superar os 54 mil pontos no melhor momento do dia, em meio a apostas de que o Federal Reserve pode demorar mais que o inicialmente calculado por analistas para elevar os juros.

Comentários de uma autoridade monetária norte-americana pela manhã reforçaram o cenário de que a atividade dos Estados Unidos ainda inspira cautela, conforme mostraram dados do mercado de trabalho divulgados na sexta-feira, quando não houve operações na bolsa paulista por feriado.

O Ibovespa fechou em alta de 1,16%, aos 53.737 pontos, maior patamar desde 28 de novembro de 2014. O volume financeiro foi de R$ 6,1 bilhões.

O presidente do Fed de Nova York, William Dudley, afirmou nesta segunda-feira que o momento da alta do juro é incerto. Ele disse que o banco central dos EUA precisa observar se a surpreendente fraqueza recente na economia norte-americana não é prenúncio de uma desaceleração mais substancial.

As declarações de Dudley vieram após o Departamento de Trabalho divulgar no último dia 3 que a criação de vagas fora do setor agrícola norte-americano somou 126 mil postos de trabalho no mês passado-- menos que a metade das vagas criadas em fevereiro e menor ganho desde dezembro de 2013.

"O número sobre a criação de vagas abriu mais dúvidas sobre o início da alta dos juros nos Estados Unidos. Nesse contexto, a bolsa deve continuar recebendo mais fluxo de entrada de estrangeiros e começa a semana mostrando força", disse o gestor Eduardo Roche, da CanepaAsset Management.

Os papéis da Ambev e Itaú Unibanco, com relevante peso no Ibovespa, responderam por importante suporte para a alta do índice, com elevações de 1,96% e 1,22%, respectivamente.

A empresa de educação Kroton também figurou entre as principais influências benignas, fechando em alta de 4,66 por cento, em meio a comentários da presidente Dilma Rousseff, de que os ajustes na economia brasileira não afetarão os programas "essenciais" do Ministério da Educação.

As ações da Petrobras também chegaram a contribuir com o avanço do índice, mas perderam o fôlego, com as preferenciais inclusive terminando em baixa de 0,28% O HSBC cortou a recomendação do papel para "reduce" (equivalente a venda), com preço-alvo de R$ 7.

As preferenciais da Usiminas subiram 1%, enquanto as ordinárias, que não estão no Ibovespa, caíram 4,64%, com agentes no aguardo do resultado da assembleia de acionistas, marcada para esta sessão, para decidir a composição e presidência do Conselho de Administração da siderúrgica.

Dólar

O dólar fechou em queda ante o real nesta segunda-feira, após a divulgação de dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos mais fracos que o esperado, indicando que o Federal Reserve, banco central dos EUA, poderia adiar o início do processo de elevação da taxa de juros.

A moeda norte-americana fechou em queda de 0,22%, cotado a 3,122 na venda, após ter recuado 1,48%  na mínima da sessão, a R$ 3,082. Na máxima, o dólar foi negociado 3,1262 reais. Na semana passada, o dólar acumulou queda de 3,43% ante o real.

Na sexta-feira, com os mercados fechados devido ao feriado de Páscoa, o Departamento de Trabalho dos EUA divulgou que a criação de postos de trabalho em março foi o menor em mais de um ano, elevando as preocupações sobre a recente desaceleração do crescimento econômico norte-americano e as apostas na postergação do início do processo de elevação da taxa de juros no país.

"O dado veio bem mais fraco que o esperado, com praticamente todas as informações ruins... Aqui, o mercado estava fechado, então a correção se dá hoje", disse o economista sênior do Besi Brasil Flavio Serrano.

A expectativa para esta semana é que a moeda norte-americana oscile menos ante o real, com o cenário político interno mais calmo e poucos indicadores com potencial de causar fortes movimentos.


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