Por parroyo

O fato de o governo se mostrar mais comprometido em buscar uma reconciliação com a base aliada para viabilizar o apoio do Congresso ao ajuste fiscal espalha otimismo pelo mercado. O Ibovespa, que mantém o viés positivo, acumulou alta de 2,05% na semana e renovou o patamar máximo desde novembro ao encerrar a sexta-feira com ganhos de 0,76%, aos 54.214 pontos. No ano, índice sobe 8,41%.

Contribuiu ainda com o movimento o desempenho das ações da Petrobras, que dispararam em resposta à expectativa de que a estatal divulgue o balanço auditado na próxima sexta-feira. O rumor ganhou força quando um dos membros do Conselho de Administração apontou a data à Reuters. Embora a companhia tenha divulgado um comunicado que desmente a informação, nos últimos cinco pregões, os papéis preferenciais acumularam alta de 10,2% e os ordinários subiram 11,6%.

A Petroleira tem prazos que variam entre 30 e 60 dias para apresentar o balanço auditado e evitar a execução de dívidas - um montante que ultrapassa o valor de US$ 50 bilhões em títulos. A previsão é que as perdas provenientes do esquema de corrupção somem até R$ 6 bilhões. “O que o mercado quer é a divulgação do balanço. Essa prestação de contas é importante para reforçar a confiança e evitar a execução das dívidas”, pontuou o analista da Clear Corretora, Raphael Figueredo.

De acordo com o analista, a expectativa em relação à Petrobras dita, além do movimento das próprias ações, o humor geral do mercado. “As coisas parecem estar fluindo bem e devem continuar assim nos próximos pregões, embora o Ibovespa possa apresentar alguma realização de lucros. Ainda assim, o viés é positivo e o índice segue em direção à busca dos 56 mil pontos”, disse Figueredo.

Na agenda de indicadores, as atenções se voltam, na terça-feira, para a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) da China referente ao primeiro trimestre – número que naturalmente causa reflexo no preço das commodities. “A projeção média é de alta de 7%, número menor que os 7,3% do trimestre anterior, mas dentro da desaceleração esperada. Se vier algo inferior a isso, o preço das commodities tende a cair”, pontuou o economista sênior do Banco de Tokyo-Mitsubish, Carlos Pedroso.

No Brasil, o IBC-BR de fevereiro, indicador considerado como prévia do PIB, será conhecido na quarta-feira e deve mostrar desaceleração de 0,20% em relação a janeiro e queda de 4,1% na comparação com o mesmo mês de 2014, de acordo com projeção da consultoria LCA. Na sexta-feira, a prévia da inflação de abril, medida pelo IPCA-15 será divulgada. LCA espera alta de 1% nos preços, abaixo do avanço de 1,24% que o indicador apontou em março.

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