Por monica.lima

São Paulo - Depois de ficar praticamente esquecida, a letra de câmbio (LC) voltou a ganhar destaque nas carteiras dos investidores e também como opção de captação das financeiras. No primeiro trimestre do ano, o estoque depositado na Cetip, integradora do mercado financeiro, registrou expansão superior a 30% ante o mesmo período de 2014. Em março, o estoque total era de R$ 4,6 bilhões, ante R$ 3,3 bilhões no mesmo período de 2014.

Ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, as LCs não são indexadas à variação do dólar e, sim, por CDI pré ou pós. Essas letras são geradas por financeiras, ou seja, elas captam o capital que será emprestado ao consumidor através das LCs.

Segundo o gerente executivo de relações e projetos da Cetip, Ricardo Magalhães, embora o crescimento seja expressivo, o volume ainda é pequeno e há espaço para crescer. O executivo ressalta que o segmento tem crescido junto a outros ativos de renda fixa que passaram a constar no radar do investidor nos últimos dois anos, em meio ao cenário de maior volatilidade. “O investidor passou a olhar o crédito imobiliário, letras financeiras, as debêntures, começou a diversificar o portfólio e buscar oportunidade. E, neste ponto, a LC se soma a este investidor”, diz. 

O presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Érico Ferreira, lembra que depois de um bom tempo de esquecimento, a LC voltou a ganhar destaque com o advento do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que passou a garantir até R$ 250 mil por investidor. “Nos tempos áureos de inflação o papel caiu em desuso. Voltou há algum tempo com a garantia do FGC e o título começou a crescer. O investidor acha que financeira é menos garantida do que bancos, mas se olhar com atenção, são os bancos que quebram mais do que as financeiras”, diz

Ferreira pondera que embora este seja um ano de fraco crescimento econômico, onde os bancos estão mais seletivos na concessão do crédito, o executivo está otimista e acredita que as financeiras podem se beneficiar deste momento. De acordo com ele, as financeiras devem assumir o risco que os grandes bancos não querem e isso pode significar mais emissão de LCs. “O que é risco grande para o banco é oportunidade para as financeiras”, diz.

Ferreira diz ainda que o segmento tem optado por captar recursos via este instrumento porque permite maior opção de vencimentos. “Na parte do passivo está havendo migração de um produto para outro porque é mais saudável captar dinheiro com mais clientes do que captar R$ 10 milhões com um banco só, que vence de uma vez só e, no outro caso, é você tem vários vencimentos”, ressalta.</CW>

Segundo o diretor da Easynvest, Amerson Magalhães, a LC é uma boa opção de renda fixa. “As letras de câmbio são títulos nominativos, vendidos ao público como forma de captação para financeiras. Ou seja, a LC nada mais é que um empréstimo que o investidor faz às instituições financeiras, em troca de uma remuneração que pode ser pré ou pós-fixada. Os indexadores mais utilizados para correção são a Selic e o IPCA”, explica.

O executivo ressalta que o retorno líquido pode ser maior que o de ativos com isenção fiscal. “Isso vai depender do prazo e do emissor”, diz. “Tenho percebido cada vez mais que os investidores estão se informando e se conscientizando sobre as opções”, diz.

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