Ações da Petrobras operam voláteis após divulgação do balanço

Suspensão do pagamento de dividendos incentiva compra do papel ON, que valorizou quase 6%. Ação PN recuou 1,5%

Por O Dia

O mercado financeiro avaliou de forma contraditória o balanço da Petrobras apresentado na noite de quarta-feira, e essa dualidade de interpretações - positiva e negativa - refletiu no desempenho das ações, que operaram com forte volatilidade durante toda a sessão desta quinta-feira. Os papéis preferenciais (PETR4) chegaram a cair quase 10% pela manhã, mas diminuíram as perdas e fecharam em queda de 1,52%, cotados a R$ 12,92. Já os ordinários (PETR3), que recuaram quase 6%, terminaram com ganhos de 5,63%, negociados a R$ 14,06. O Ibovespa terminou com avanço de 1,95%, aos 55.684 pontos, renovando a máxima em cinco meses – desde 21 de novembro de 2014.

A disparidade no movimento das ações reflete o fato de a companhia ter anunciado que não irá pagar os dividendos relativos ao exercício de 2014, como reflexo do prejuízo de R$ 21,6 bilhões amargado no período. Tal notícia fez com que a ação PN perdesse atratividade, que se baseia justamente no fato de a categoria pagar mais dividendos do que a ON. “A suspensão no pagamento dos dividendos colocou os papéis em igualdade neste quesito, mas a ON tem a vantagem de permitir o direito ao voto", afirmou o analista de renda variável da São Paulo Investments, Fabio Lemos.

De acordo com a analista da Corretora Concórdia, Karina Freitas, em meio à perspectiva por um resultado negativo da companhia, os investidores entenderam que haveria a distribuição de dividendos somente para as ações PN. “O anúncio de que nenhuma das duas pagaria fez com que o mercado se ajustasse ao novo cenário, o que explica a disparada da ação ON, que no momento oferece a vantagem do direito ao voto”, disse. A política da empresa aponta que as ações preferenciais, como o próprio nome diz, têm preferência na distribuição dos dividendos. No exercício de 2013, a PN pagou R$ 0,99 por ação, enquanto a ON remunerou R$ 0,53.

Em relação à percepção do mercado em relação ao balanço, os analistas cravam um consenso: as avaliações foram muito divergentes. “Teve investidor que gostou dos números por trazerem credibilidade à atual situação da companhia, mas outros acharam que isso foi insuficiente”, comentou o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger.

“O prejuízo nunca é bom, mas o tamanho do ajuste das baixas contábeis era importante para mostrar credibilidade ao mercado, e isso aconteceu. Vale lembrar que o primeiro sinal das baixas era de R$ 88 bilhões, e a cifra apresentada foi de R$ 50,8 bilhões. No entanto, o nível de alavancagem é preocupante, uma vez que deve aumentar ainda mais no primeiro trimestre deste ano como reflexo de efeitos cambiais”, destacou Karina. A petroleira tem cerca de 70% da sua dívida atrelada diretamente à moeda norte-americana.

O endividamento da estatal atingiu R$ 351 bilhões no fim de 2014 - alta de 31% na comparação anual, e a relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou 4,8 vezes ao fim de 2014. Em uma visão de médio prazo, o Itaú BBA estima, em relatório, que a alavancagem da Petrobras pode atingir 6,1 vezes até o fim do próximo ano, presumindo preços de diesel e gasolina estáveis até o fim de 2016 e o dólar a R$ 3,4.

Últimas de _legado_Notícia