Por monica.lima

São Paulo - O excesso de liquidez global com os estímulos monetários na Europa e no Japão e a expectativa de que a China possa inserir mais dinheiro nos mercados, junto com um ambiente doméstico mais otimista, contribuiu na semana passada para colocar a bolsa de valores do Brasil para o “bull market”, o jargão do mercado que indica uma acentuada tendência de alta, semelhante a chifrada de um touro.

A maré de euforia é atribuída à divulgação do balanço da Petrobras, ao progresso das negociações para o ajuste fiscal pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o entendimento com o PMDB na articulação política do governo.

Para alguns analistas, houve um exagero no pessimismo no inicio de ano e o que está ocorrendo agora é uma recomposição de preços. Segundo Luiz Carlos Pereira, estrategista da Guide Investimentos, essa tendência de alta já tem sido observada há cerca de um mês e foi intensificada com a divulgação do balanço auditado da Petrobras na quarta-feira passada.

“O mercado já começa a ter um movimento exagerado de alta. Houve melhora significativa com o resultado da Petrobras, que tirou alguns riscos, como o possível rebaixamento do rating da estatal e do Brasil. Também houve grande progresso do Levy nas articulações políticas”, diz, ressaltando, no entanto, que a questão, agora, é onde o mercado irá se pauta para continuar esse movimento de recuperação.

“Qual será o próximo gatilho para o mercado. A temporada de balanço das empresas (do primeiro trimestre) começou e as projeções são de números não tão fortes, confirmando a paralisia do primeiro trimestre”, afirma Luiz Carlos Pereira.

Álvaro Marangoni, sócio da Quadrante Investimentos, concorda que o rali está sendo impulsionado pelo excesso de liquidez mundial. “Não é por fundamento macro e nem das empresas, porque todos os dados de crescimento econômicos estão entre os piores dos últimos cinco a dez anos, dependendo do dado. Não tem nada que justifique a melhora”, diz.

Para Marangoni, ainda é cedo para falar em mudança de humor, mas é uma grande janela para o Brasil. “O mundo ainda está sofrendo por falta de crescimento e levando alguns bancos centrais a injetarem liquidez no mercado. Isso é uma grande janela para o Brasil, mas para haver essa mudança de tendência é necessário que o País comece a crescer”, afirma.

Esta também é a percepção de Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest. “O que vemos é dinheiro de curto prazo. Quando você enxergar o dinheiro de longo prazo voltando, aí, sim, dá para ficar animado”, diz Cardoso. O executivo, no entanto, é otimista e não descarta a Bolsa subir mais, chegando até os 70 mil pontos ainda este ano. Para isso, ele ressalta que é importante que o investidor comece a perceber um cenário mais promissor no médio prazo, como a inflação começando a ceder já no segundo semestre.

“Hoje os eventos estão trazendo um pouco mais de conforto. Você tirou uma faca que estava na cabeça do governo e da Petrobras que era o rebaixamento, isso era ruim para empresa e para o governo. Tirou isso da frente. Só um evento negativo colocará os preços para baixo”, afirma.

Mais pessimista com a Bolsa, o presidente da Magliano Corretora, Raymundo Magliano Neto, acha que o movimento de alta do Ibovespa não se sustenta nesta semana. “Pode subir mais um ou dois dias, no máximo, até todo mundo entender que a situação política não está boa. O Levy está indo bem, mas ainda não entregou tudo”, diz Magliano.

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