Bolsa e S&P Dow Jones criam índices de ações no Brasil

Parceria tem como objetivo diversificar as opções para os investidores brasileiros, que buscam produtos mais sofisticados

Por O Dia

São Paulo - A BM&FBovespa e a S&P Dow Jones Índices anunciaram ontem o lançamento de uma parceria para criação de índices de ações no Brasil. De acordo com o diretor-executivo de produtos da BM&FBovespa, Eduardo Guardia, o objetivo é aumentar a capacidade de oferecer produtos no mercado brasileiro e atender a demanda por produtos mais sofisticados.

“Em nenhum momento estamos fazendo isso porque os índices existentes estão com problemas, mas existe demanda no mercado brasileiro por outras classes de ativos, outras metodologias. Esses produtos são complementares aos que já existem. Estamos caminhando no sentido da diversificação para ambas as companhias, com distribuição local e internacional”, disse.

O lançamento da família S&P/Bovespa de índices smart-beta envolve o lançamento de cinco índices de ações de empresas negociadas na Bolsa, que serão referência para lançamento de ETFs (cotas de fundos de ações, na sigla em inglês). Os índices — Baixa Volatilidade, Ponderado pelo Risco, Qualidade, Momento e Valor Aprimorado — medem o desempenho das ações no mercado brasileiro com base na exposição que oferecem aos respectivos fatores de risco.

De acordo com o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, o acordo faz parte da consolidação do projeto de internacionalização da Bolsa e acontece num momento muito significativo, com um cenário desafiador para o país. “Apesar da economia fragilizada, temos novas perspectivas com o ajuste fiscal. Temos o novo pacote de concessões, bem como a abertura de algumas empresas estatais e a correção dos preços administrado, o que deve encorajar o investidor estrangeiro”, ponderou. Pinto ressaltou que o investidor estrangeiro trouxe para a Bolsa este ano R$ 18 bilhões, mas não encontrou ressonância no mercado doméstico.

Para o presidente da S&P Dow Jones Índices, Alex Matturri, com o acordo a S&P Dow Jones Índice expande sua missão de trazer aos mercados as melhores soluções, pesquisas, ideias e análises baseadas em índices. “À medida que os mercados de capitais brasileiros se desenvolvem, a BM&FBovespa continua a desempenhar um papel essencial tanto para os investidores locais, como para os estrangeiros. Ao lançar essa família de índices visamos atender às sempre renovadas necessidades de investidores do mundo todo por referências com inclinação para certos estilos, setores e fatores,” disse.

De acordo com Guardia, a Bolsa pretende alavancar toda a experiência da S&P Dow Jones não só na metodologia, que já é internacionalmente conhecida, mas também toda a estrutura de vendas e distribuição para comercialização de índices no Brasil e no exterior. “Caberá a Bolsa criar produtos baseados nos novos índices, estamos falando basicamente da criação de ETFs, futuros listados e de mercado de balcão. Estamos oferecendo ao mercado brasileiro índices comparáveis ao mercado internacional, baseados em metodologias já testadas e aceitas”, disse.

Guardia ressaltou ainda que o mercado brasileiro tem grande potencial para lançar novos ETFs. De acordo com ele, o mercado global movimenta quase US$ 3 trilhões, a demanda pelo índice vem crescendo fortemente e já tem grande relevância em economias mais maduras. “Todos os mercados têm participação maior sobre o total negociado nas bolsas quando comparado ao mercado brasileiro. O Brasil tem hoje 18 ETFs comparados a mais de mil em bolsas como a Nyse”, disse, acrescentando ainda que quando se fala em mercado global de ETFs, não significa só ações. “Existe demanda por ativos regionais. Tem renda fixa, commodities, outras classes de ativos mobiliários e, aqui no Brasil, não será diferente. Este instrumento permite uma diversificação de maneira muito eficiente e barata”, afirmou.
O executivo disse ainda que os próximos passos são os ETFs de renda fixa e inflação. Além disso, ele informou que a S&P Dow Jones acaba de lançar uma metodologia de índice soberano. “Vamos caminhar para produtos de renda fixa e inflação. O índice soberano é algo que nós também queremos ter aqui no Brasil”, afirmou.

Guardia disse ainda que a Bolsa está trabalhando para a apresentação de novos produtos até o final do ano. Entre eles, está previsto o lançamento de derivativos de índices futuros de inflação, em junho e, para o final do ano, recibo de ações (BDRs) de empresas da América Latina. “Temos visto demanda grande por BDRs de empresas não só americanas, mas também de europeias e latino-americanas”, afirmou.

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