Em semana volátil, Ibovespa tem leve alta de 0,17%

Tendência para os próximos pregões está indefinida. Atenção do mercado irá se voltar para a política monetária dos EUA

Por O Dia

A volatilidade predominou no mercado na última semana, reflexo principalmente dos resultados corporativos domésticos e de dados fracos da economia dos Estados Unidos. No período, o Ibovespa acumulou leve alta de 0,17%. Em 2015, os ganhos acumulados somam 14,48%. De acordo com analistas, a perspectiva para os próximos pregões é positiva, mas, tecnicamente, a tendência da Bolsa está indefinida. Na sexta-feira, o índice cravou a segunda alta consecutiva ao terminar com avanço de 1,04%, aos 57.248 pontos.

“O Ibovespa chegou aos 58 mil pontos, passou por uma realização de lucros, mas manteve o suporte dos 56.500 pontos, o que aponta para uma possibilidade de alta – ou seja, o viés positivo ainda não foi perdido. Entretanto, a confirmação da tendência de alta só virá quando o índice alcançar novamente os 58 mil pontos”, afirmou o analista técnico da Trader Brasil Leandro Klem, que aponta o desempenho das ações da Petrobras como importante termômetro para o comportamento do Ibovespa na próxima semana.

A estatal divulgou, na noite desta sexta-feira, o balanço referente ao primeiro trimestre. “O movimento dos papéis da petroleira influenciam o mercado, mas não é possível saber qual será a reação dos investidores aos números, independente de virem bons ou ruins, neste momento delicado – em meio à Operação Lava-Jato”, comentou.

Na agenda, as atenções se voltam para a ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), que será conhecida na quarta-feira. Diante dos dados fracos da economia norte-americana, que apontam baixo crescimento do PIB no segundo trimestre, a expectativa do mercado é que o Fed prorrogue o aperto monetário. O juro perto de zero incentiva o fluxo de capital para os países emergentes, o que impulsiona o ganho das Bolsas.

“Acredito que eles vão continuar reafirmando a escalada dos juros, mas existe grande chance de sinalizarem isso para o segundo semestre, em setembro, conforme o consenso do mercado. Diante da fraqueza da economia, pode ser ainda que a decisão seja postergada para dezembro ou para o início do ano que vem”, afirmou o economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa.

Entre os indicadores domésticos, o IBC-BR, índice do Banco Central considerado uma prévia do PIB, será conhecido na quinta-feira. De acordo com a estimativa mediana do mercado, a atividade deve mostrar retração de 0,50% em março. A prévia da inflação de maio, medida pelo IPCA-15, a ser divulgada na sexta-feira, também deve atrair atenção do mercado.

De acordo com Rosa, após subir 1,07% na última leitura, o indicador deve desacelerar para alta de 0,60%. “O recuo reflete impacto menor do aumento dos preços administrados e dos preços dos alimentos. Porém, nos últimos 12 meses, a inflação vai continuar rodando acima de 8%, com os preços dos serviços, por exemplo, ainda exercendo pressão, o que aponta para um quadro desfavorável.

Ainda assim, a SulAmérica Investimentos mantém a projeção de alta de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, em junho ­- parte do mercado aposta emajuste maior, de 0,5 ponto percentual. “Até junho, os dados de desemprego tendem a subir e devemos ter indicações mostrando que o PIB do segundo trimestre pode vir mais fraco. Acreditamos que a atividade vai pesar na decisão do Banco Central, que deve se apoiar na política fiscal contraceptiva e deve encerrar o ciclo de alta dos juros, deixando a Selic em 13,50% até o fim deste ano ou começo de 2016”, pontuou Rosa.

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