Temas polêmicos para o setor imobiliário no país

Secovi acredita que projetos de lei podem prejudicar a atuação do segmento

Por O Dia

Rio - A Agenda Legislativa & Projetos Prioritários, Setor de Comércio e Serviços Imobiliários 2017-2018 apresentada pelo Sindicato da Habitação (Secovi Rio) em Brasília, contou com temas relevantes para o segmento. É o caso da elevada carga tributária, os distratos, a segurança jurídica na locação, os terrenos de Marinha, a atuação dos corretores de imóveis, loteamentos com acesso controlado e contribuição sindical. 

A Agenda Legislativa & Projetos Prioritários, Setor de Comércio e Serviços Imobiliários 2017-2018 apresentada pelo Sindicato da Habitação (Secovi Rio) em Brasília, contou com temas relevantes para o segmentoDivulgação

Esta é a segunda edição da publicação, que é o resultado de um trabalho do Secovi Rio em conjunto com 22 sindicatos da habitação e com associações setoriais. O documento selecionou 14 projetos de lei em andamento na Câmara dos Deputados e no Senado Federal que possam causar impacto, positivo ou não, na atividade imobiliária no país.

O Projeto de Lei 1.220/2015, do deputado federal Celso Russomanno, por exemplo, determina que nos ‘contratos de compra e venda de imóveis adquiridos na planta é facultado à incorporadora a retenção do valor de até 10 % do valor pago pelo adquirente desistente do negócio, incluindo a taxa de corretagem’. Em 2016, o número de distratos representou 43,4% do total de imóveis vendidos naquele ano, o que tem gerado insegurança no mercado imobiliário. “Precisamos ter um viés de legislação neste tema. A ideia seria uma lei federal para regular este assunto”, diz Pedro Wähmann, presidente do Secovi Rio.

Presidente do Secovi Rio%2C Pedro Wähmann diz que a Agenda Legislativa tem como consequência natural a melhor resolução de gargalos do setor habitacional Divulgação

A garantia na locação não ficou de fora. Projetos de lei, como o 693/1999, que extingue a exigência de fiador do contrato de locação e transfere ao locador a responsabilidade de pagamento dos tributos do imóvel, e o PL 795/2007, que desobriga o fiador no caso de dívida vencida e não paga, se o credor não o comunicar do fato em até 15 dias, foram selecionados para a Agenda Legislativa.

CONDOMÍNIOS CAROS

Segundo Wähmann, cada vez mais numerosos no Brasil, os condomínios têm sido alvo crescente de proposições que podem aumentar o custo de sua manutenção, prejudicando ainda mais a população que mora em edifícios, já apertada pela crise. “Por outro lado, projetos que supostamente visam beneficiar os moradores de condomínios já nascem com erros conceituais. É o caso do PL 6973/2017, do deputado federal Cícero Almeida, que pretende incluir na Lei 4.591/64 (Lei de Condomínios), o artigo que limita o reajuste da cota condominial à média dos índices de correção incidentes sobre as tarifas públicas e folha de pessoal. O entendimento, entretanto, é equivocado, pois todos os gastos do condomínio são livremente assumidos pelos condôminos para cobrir despesas necessárias à guarda, segurança, manutenção e conservação da propriedade comum”, explica Wähmann.

Mais de 500 mil postos de trabalho

Lançada no ano passado, a Agenda Legislativa & Projetos Prioritários teve como objetivo dialogar com o Congresso Nacional, permitindo avanços em temas centrais para a cadeia produtiva da habitação. Em 2017, juntam-se a este documento dados estatísticos sobre condomínios e a atividade de administração imobiliária, que pretendem mostrar a relevância econômica de um setor que representa 95 mil empresas e 180 mil condomínios edílicos, gerando mais de 500 mil empregos diretos e cerca de 1.750 mil indiretos para a economia do país.

“Em um país com déficit habitacional estimado em 6 milhões de moradias, todos os esforços para desburocratizar leis são louváveis. Ao estabelecer um canal de comunicação transparente e direto entre o setor e o Poder Legislativo, o trabalho apenas começou. A efetividade da agenda tem como consequência natural a melhor resolução de gargalos do setor habitacional, um dos grandes impulsionadores da nossa economia”, destaca Pedro Wähmann, presidente do Secovi Rio.

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