Por douglas.nunes

HAIA - Os líderes dos países do G7 se encontraram nesta segunda-feira em Haia para discutir uma resposta à Rússia por sua anexação da Crimeia, onde as últimas tropas ucranianas começaram a se retirar da península e o rublo começou a circular.

Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos decidiram se reunir em junho, em Bruxelas, para substituir a cúpula do G8 em Sochi, que foi cancelada após as últimas ações da Rússia na Ucrânia.

"Os líderes do G7 se reunirão novamente em junho em Bruxelas. Não estarão em Sochi", indicou no Twitter o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que participou da reunião em Haia convocada pelo presidente americano Barack Obama.

Além disso, os ocidentais reafirmaram seu apoio à Ucrânia e ameaçaram "intensificar as respostas" à Rússia, adotando inclusive "sanções setoriais coordenadas", caso Moscou continue aumentando a tensão na Ucrânia.

"Estamos preparados para intensificar as respostas, incluindo sanções setoriais coordenadas que terão um impacto cada vez mais significativo na economia russa, se a Rússia continuar alimentando a escalada", indicou o G7 em um comunicado após a reunião na cidade holandesa.

EUA "muito preocupados"

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov se reuniu nesta segunda-feira com o secretário de Estado americano, John Kerry, segundo a porta-voz do departamento de Estado, Marie Harf.

Durante a reunião, Kerry teria reiterado a preocupação dos Estados Unidos com a presença em massa de tropas russas na fronteira da Ucrânia, assim como o tratamento dado aos militares ucranianos.

Kerry recordou a Lavrov que Obama assinou uma ordem executiva que "outorga flexibilidade para sancionar empresas específicas, caso a Rússia prossiga dando passos em direção a uma escalada" no conflito.

Em sua chegada a Holanda nesta segunda-feira, o presidente americano advertiu que Washington e a Europa fariam a Rússia pagar pela anexação da Crimeia.

"Europa e Estados Unidos estão unidos em seu apoio ao governo e ao povo da Ucrânia, e estão unidos para fazer a Rússia pagar pelo custo de suas ações neste país", declarou Obama à imprensa em Amsterdã depois de se reunir com Mark Rutte, o primeiro-ministro holandês.

À tarde, Obama se reuniu com seus colegas do G7 em uma cidade sob forte esquema de segurança.

Estados Unidos e a União Europeia (UE) já aprovaram sanções contra personalidades russas e ucranianas pró-russas por fomentar e organizar o referendo que decidiu a anexação da Crimeia à Federação da Rússia.

O objetivo é dissuadir as autoridades de Moscou de avançar em outros territórios e puni-las pela "desestabilização" da Ucrânia.

Mas a consolidação da presença militar russa na Crimeia, assim como o envio de tropas para as fronteiras, preocupam Washington.

"Estamos muito preocupados com a potencial escalada no leste e no sul da Ucrânia", disse o conselheiro de segurança nacional de Obama, Ben Rhodes, acrescentando que Washington "acompanhada de perto" a situação.

De acordo com a Otan, Moscou enviou forças significativas para perto da fronteira leste da Ucrânia, e Kiev informou no domingo que temia uma invasão.

Em Haia, o ministro interino ucraniano Andrii Deshchytsia disse que a posição do governo de Kiev "é a utilização de todos os meios pacíficos para resolver este conflito de forma pacífica".

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