Maduro aceita testemunhas que facilitem diálogo nacional

Presidente aceitou que a União das Nações Sul-Americanas "escolha um grupo de chanceleres para se sentar e testemunhar as conversações" com a oposição

Por O Dia

Maduro tem convocado distintos setores para o diálogo, o que é visto como uma manobra pela oposição.Leo Ramirez/AFP

CARACAS - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, aceitou na quinta-feira "testemunhas" que facilitem o diálogo nacional, após a visita de uma comissão de chanceleres da Unasul ao país, abalado por mais de um mês de protestos.

"Querem uma testemunha? Vamos a uma testemunha, então", disse Maduro em um ato oficial no estado de Vargas, transmitido em rede nacional pela TV.

Maduro aceitou que a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) "escolha um grupo de chanceleres para se sentar e testemunhar as conversações" com a oposição, mas advertiu que não aceitará "condições" nem "agendas prévias porque não estou impondo isto".

A pedido do governo em Caracas, uma comissão de chanceleres se reuniu, nos últimos dois dias, com setores da sociedade venezuelana para "acompanhar" o diálogo nacional proposto para superar a onda de protestos que sacode o país desde 4 de fevereiro passado.

"Para dar continuidade a este processo iniciado pela Unasul, as reuniões da Comissão terão prosseguimento nos próximos dias, através de um grupo de chanceleres", destacou um comunicado.

A comissão da Unasul se reuniu com líderes dos partidos aliados ao governo, da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), com representantes do judiciário, membros de distintas religiões, organizações de direitos humanos e líderes estudantis.

"A Comissão registrou a disposição ao diálogo de todos os setores, que manifestaram a necessidade de moderar a linguagem, gerando assim um ambiente pacífico que favoreça as conversações entre o governo e os distintos atores políticos, econômicos e sociais do país".

Desde o início dos protestos, Maduro tem convocado os distintos setores para um diálogo nacional, mas a MUD e o movimento estudantil opositor afirmam que trata-se de uma manobra para esfriar as manifestações.

A onda de protestos contra o governo diante da insegurança, da crise econômica e da repressão já deixou 34 mortos, 400 feridos e dezenas de denúncias de violações dos direitos humanos na Venezuela.

Nesta quinta-feira, a subsecretária americana de Estado, Roberta Jacobson, revelou que os Estados Unidos analisam a adoção de sanções contra a Venezuela diante da ausência de um diálogo profundo e de um "espaço democrático" com a oposição para se resolver a crise.

Apesar de considerar o recurso extremo, Jacobson disse que as sanções poderão se tornar uma "ferramenta muito importante" se as possibilidades de diálogo entre governo e oposição forem bloqueadas e não se abrir um "espaço democrático".

Jacobson reafirmou a preocupação de Washington com as violações dos direitos humanos na Venezuela, onde o governo deteve e condenou à prisão dois prefeitos opositores e o líder da oposição Leopoldo López. Os três são acusados de incitar os protestos violentos.

Maduro também decretou, na terça-feira, a prisão de três generais da Força Aérea acusados de tramar um "golpe de Estado" em meio aos protestos.

Jacobson lembrou a situação da deputada María Corina Machado, cassada pela Assembleia Nacional por participar de uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) como "representante alternativa" do Panamá.

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