FMI prevê crescimento de 3,6% para a economia mundial em 2014

Em 2013, expansão da economia global foi de 3%. Estimativa é 0,1 ponto percentual inferior à projeção de janeiro

Por O Dia

WASHINGTON -  O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta terça-feira a previsão de crescimento econômico global para este ano para 3,6%. A estimativa é superior ao resultado de 2013, de 3%, mas caiu 0,1 ponto percentual em relação à projeção feita em janeiro devido ao surgimento de tensões geopolíticas e da desaceleração nos mercados emergentes.

O FMI prevê ainda avanço de 3,9% em 2015.

"O fortalecimento da recuperação mundial depois da recessão (de 2009) é evidente, mas o crescimento ainda não é sólido. Em todo o mundo os riscos permanecem", afirma o FMI em seu novo conjunto de previsões.

"A recuperação global ainda é frágil, mas as perspectivas, e significativos riscos - velhos e novos - permanecem. Recentemente, alguns novos riscos geopolíticos surgiram", afirma ainda o estudo, em uma referência à crise entre a Rússia e a Ucrânia pela região da Crimeia.

Segundo o FMI, a situação da Ucrânia poderá dar início a uma tendência de "aversão ao risco" entre os investidores, provocando perturbações no fluxo de capitais, com efeitos sobre a produção de gás e petróleo.

Para a Rússia, o FMI prevê crescimento de 1,3% neste ano, com redução de 0,6 ponto percentual em relação à última previsão. Para 2015, a estimativa é de alta de 2,3%, com revisão em baixa de 0,2 ponto percentual.

EUA impulsionam crescimento mundial

O novo relatório do FMI destaca o impulso maior ao crescimento mundial proporcionado pelos Estados Unidos, que deverão crescer 2,8% neste ano e 3% em 2015. 

A Europa, que recentemente foi o epicentro de uma crise pública, finalmente saiu da recessão para crescer 1,2% em 2014, com um crescimento previsto de 1,5% para 2015. No entanto, o FMI fez um alerta para a região. "O legado da crise - o elevado desemprego, os frágeis balanços dos setores privado e público, a escassez de crédito e uma dívida elevada -, assim como as travas ao crescimento a longo prazo mercem toda a atenção", indicou o FMI.

Para o Japão, a terceira economia mundial, o FMI reduziu suas previsões de crescimento e pediu ao governo do primeiro-ministro Shinzo Abe que acelere as reformas estruturais e a consolidação orçamentária.

O PIB do Japão só aumentará 1,4% em 2014, taxa 0,3 ponto percentual abaixo da anterior. Em 2015, será de apenas 1%.

Ambiente incerto para os emergentes

A preocupação principal da entidade está nas perspectivas imediatas para as economias emergentes, que deverão crescer 4,9%, com revisão em baixa de 0,2 ponto em relação à última previsão.

A atividade em várias economias emergentes "foi decepcionante em um ambiente financeiro menos favorável, apesar de continuarem contribuindo com mais de dois terços do crescimento global", assinala o estudo.

Este crescimento dos emergentes "terá a ajuda de uma demanda externa maior das economias avançadas, mas condições financeiras mais ajustadas deverão frear o crescimento da demanda doméstica nestes países", afirma ainda.

No geral, as economias emergentes terão de enfrentar um "ambiente externo mutável".

Por isso, o FMI expressou sua preocupação ante a possibilidade de uma reversão dos fluxos de capital, pelos riscos de desvalorizações desordenadas das moedas e necessidades de financiamento externo.

A China deverá crescer 7,5% neste ano e 7,3% em 2015. São as mesmas previsões que o FMI fez em janeiro, mas representam uma leve redução em relação ao crescimento de 7,7% que a economia chinesa experimentou nos últimos dois anos.

O Fundo explicou que fez suas previsões para a China "assumindo que as autoridades controlarão gradualmente a rápida expansão do crédito e avançarão na aplicação de seus planos de reformas para colocar a economia no caminho de um crescimento mais equilibrado e sustentável".

No caso da América Latina, o FMI prevê apenas uma modesta aceleração da atividade, com um crescimento de 2,5% em 2014, o,4 ponto percentual abaixo da projeção feita em janeiro. O FMI também revisou para baixo a estimativa de crescimento da região para o ano que vem, de 3,3% em janeiro para 3% neste último relatório.  

Apesar de o documento destacar que existem importantes diferenças nas economias da região, apontou que, no Brasil, "o crescimento continuará moderado", em 1,8% neste ano, após revisar reduzir em 0,5 ponto percentual a estimativa de janeiro. O México, em contrapartida, poderá beneficiar-se do crescimento nos Estados Unidos.

A "baixa velocidade" da economia brasileira se deve "às restrições na oferta de infraestrutura e um fraco crescimento no investimento privado, que se reflete na falta de competitividade e uma baixa confiança empresarial", assinala o Fundo. Depois de uma expansão de 7,5% em 2010, o ritmo de crescimento do Brasil tem sido títmido, com altas de 2,7% em 2011, de 1% em 2012 e de 2,3% em 2013.

Já as perspectivas de curto prazo para a Argentina e a Venezuela se deterioraram ainda mais.

Na África subsaariana deverá haver um crescimento de 5,4% neste ano (contra 4,9% em 2013), em razão de uma forte demanda dos países ricos. No entanto, a expansão não será tão forte quanto a prevista em janeiro, 0,7 ponto percentual superior.


Últimas de _legado_Notícia