Por marta.valim
"Quero saudar a presença da Mesa da Unidade Democrática", disse o presidente Presidencia/AFP

Caracas  - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, recebeu na quinta-feira o líder da oposição e governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, para uma reunião no Palácio de Miraflores, em um encontro dedicado a acabar com a onda de protestos que há dois meses sacode o país.

"Quero saudar a presença da Mesa da Unidade Democrática", disse o presidente sobre os opositores presentes, entre eles Capriles, que disputou a presidência com Maduro há um ano e foi derrotado por uma mínima margem.

Da reunião, transmitida pela TV estatal, participam cerca de 20 líderes - do governo e da oposição - e os chanceleres de Brasil, Luis Alberto Figueiredo, Equador, Ricardo Patiño, e Colômbia, María Holguín - mediadores indicados pela União das Nações Sul-Americanas para o processo de pacificação.

Patiño destacou que o diálogo "conta com o carinho e o acompanhamento de todos os presidentes dos países absolutamente esperançosos e otimistas de que tudo (na Venezuela) siga em frente".

O núncio apostólico Aldo Giordano, também chamado para observar o encontro, agradeceu o convite "para participar deste diálogo de paz".

Ao ler uma carta enviada pelo Papa Francisco, Giordano destacou que "a violência jamais poderá trazer a paz a um país (...). Este encontro favorecerá o bem comum".

Além de Maduro, o governo foi representado pelo vice-presidente executivo, Jorge Arreaza, o chanceler Elías Jaua, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, e o vice-presidente econômico, Rafael Ramírez.

Do lado opositor, Capriles foi acompanhado pelo secretário-executivo da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Ramón Aveledo, pelos governadores de Lara, Henri Falcón, e Amazonas, Liborio Guarulla; e pelos deputados Omar Barboza, presidente do partido Um Novo Tempo, e Julio Borges, dirigente do partido Primeiro Justiça, do governador de Miranda.

A reunião não contou com a participação de integrantes do partido Vontade Popular, cujo líder Leopoldo López - atualmente preso - é um dos promotores da onda de protestos para forçar a renúncia de Maduro.

Também rejeitaram o encontro o prefeito opositor do distrito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, e a ex-deputada María Corina Machado, destituída pela Assembleia por apoiar as manifestações.

Tanto a oposição como o governo advertiram - antes do encontro - que não pretendem estabelecer um diálogo propriamente dito, mas que será um processo para colocar suas posições na mesa.

A Venezuela é sacudida há dois meses por uma onda de protestos contra a criminalidade, a inflação e o desabastecimento que já deixou 39 mortos, 600 feridos, 100 detidos e diversas denúncias de violações dos direitos humanos.

Você pode gostar