Putin suaviza tom sobre Ucrânia mas não renuncia seus objetivos

O presidente da Rússia pediu o adiamento do referendo separatista pró-russo

Por O Dia

O presidente russo, Vladimir Putin, suavizou seu tom sobre a Ucrânia, ao pedir um adiamento do referendo separatista pró-russo, mas este gesto não significa que tenha renunciado aos seus objetivos, afirmavam nesta quinta-feira a imprensa de Moscou e vários analistas.

"A terceira guerra mundial deverá esperar", afirmava o jornal de Moscou Moskovski Komsomolets um dia depois das inesperadas declarações do presidente russo, que pediu aos separatistas do leste da Ucrânia um adiamento do referendo previsto para este domingo e abriu a porta ao reconhecimento da eleição presidencial antecipada de 25 de maio.

As autoridades de Kiev classificaram de brincadeira estas declarações, enquanto os europeus comemoraram este novo rumo, embora tenham pedido ações, e não palavras. Os pró-russos desconsideraram, no entanto, a proposta de Putin e mantêm a convocação para este referendo. O Kremlin tomou nota, mas não reagiu até o momento.

"O fato de os separatistas não aceitarem adiar o referendo é útil, já que mostra que não são fantoches. Pode ser que o Kremlin esperasse exatamente esta reação", considerou Nikolai Petrova, da Escola Superior de Economia de Moscou.

Homem de paz 

Este especialista não descarta que Moscou e os ocidentais tenham concluído um projeto de acordo para dividir as zonas de influência entre o leste e o oeste da Ucrânia, mediante uma estrutura de tipo federal.

No entanto, até o momento, o anúncio do Kremlin permite a Putin "se mostrar praticamente como um homem de paz", disse.

O especialista sobre a Rússia na Universidade de Innsbruck, Gerhard Mangott, também se pergunta sobre o alcance desta guinada do presidente russo. "Ou tem uma influência limitada sobre os separatistas, ou só atua", declarou.

"É uma manobra tática. A Rússia finalmente se deu conta de que não contava com tantos apoios no leste da Ucrânia", estimou Joerg Froebig, da German Mashall Fund em Berlim.

Para Alexei Makarkin, do Centro de Tecnologia Política de Moscou, a Rússia arriscava muito com o apoio a um referendo, no qual grande parte da população do leste da Ucrânia não teria podido participar.

Segundo este especialista, a posição do Kremlin mostra que as negociações com os ocidentais estão em andamento e que a Rússia não tem a intenção de incorporar ao seu território as regiões do leste e do sul da Ucrânia. "Seria mais um conflito com a comunidade internacional e uma pesada obrigação" devido às sanções, estimou.

Evitar sanções 

Maria Lipman, da delegação de Moscou do Centro Carnegie, também estimou que a Rússia "tenta evitar sanções sérias e ganhar tempo, já que a Europa também não tem muita vontade de aplicá-las".

Em sua edição desta quinta-feira, o jornal econômico russo Kommersant afirmava que "as propostas de Putin privam os partidários da linha dura contra Moscou do pretexto formal de lançar um terceiro pacote de sanções econômicas".

No entanto, Lipman ressalta que é impossível prever o que acontecerá. "Putin mantém todos na tensão e na incerteza", acrescentou.

Putin garantiu na quarta-feira que a Rússia havia retirado suas tropas da fronteira ucraniana, embora tenha supervisionado nesta quinta-feira a partir de Moscou amplos exercícios militares, entre eles o lançamento de mísseis intercontinentais, na véspera de um grande desfile militar para celebrar a vitória russa contra os nazistas.

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